Reparou que, curiosamente, parara de escrever poesias quando se apercebera do quanto o amava. E concluiu que não era porque perdera o tino, mas sim, porque descobrira a insuficiência das palavras.
Deu-se conta do quanto era especial ter em sua vida algo tão especial, porque se tão especial era, não o era por apenas ser, mas por uma razão maior. E deduziu que tinham a missão de perpetuar aquela raridade, porque nada lhes fora dado sem propósito, e aquilo não podia se perder.
Porque se neles havia o que tão pouco se encontrava,
e se tão poucos reconheciam, mas os que o faziam se espelhavam,
e se tanto bem inspirava que na forma não se amoldava,
e se tudo era tão e tanto, que perto disto as palavras eram nada,
de que outra forma poderia descrever isto, ao não ser, simplesmente, que o amava?