De repente, não me sinto mais tentada. Não tem sido muito difícil resistir a tudo que antigamente me oferecia perigo. Se antes minha luta era para controlar impulsos, hoje mal encontro esses impulsos em mim.
Não... Estou enganada; não foi de repente. Tudo isso é fruto de meses e meses ensinando a mim mesma que não devo cair em tentações. Foram dias e dias me policiando, educando meu cérebro, dizendo a mim mesma que posso, mas não devo. Foi difícil, no início. Hoje, todavia, tem sido tão fácil que começo a me estranhar.
Se por anos eu pude me definir como alguém que depende de certas coisas para viver, quão surpresa não estou estou em saber que, ademais de não mais ser dependente, ainda por cima consigo passar por elas sem precisar conter qualquer ímpeto de me entregar a elas!
Quem é esta nova eu? Como é possível que eu não mais sucumba?
No idioma espanhol, há uma palavra que considero muito interessante: botín; que quer dizer: aquilo que o vencedor da guerra leva do perdedor. Pois bem; na vida, muitas vezes o botín que fica, após uma árdua conquista, também nos obriga a nos reposicionar perante as situações às quais estamos acostumados. É necessário adotar uma nova postura; afinal, somos agora novas pessoas - e, é bom frisar, pessoas melhores.
É curioso, quase engraçado, não mais me afirmar perante a sociedade como aquela pessoa outrora por ela conhecida, com aqueles hábitos tão típicos e todas as peculiaridades que sempre foram meu cartão postal. As coisas, porém, agora são diferentes - melhores! E talvez seja complicado apresentar essa nova pessoa para toda a sociedade... Mas se ela é tão melhor que a outra, por que devo ter vergonha?
A primeira temporada de "Macho Man" terminou na semana passada, e eu lamento. Na minha opinião, este seriado foi uma das melhores novidades da programação da Rede Globo neste ano.
Além de ser engraçadíssimo e ter personagens super expressivos (alguns muito bizarros, e por isso mesmo, hilários), o que mais me agrada são as discussões sobre amor e sexualidade. Tudo é sempre tratado com muito humor, um humor que às vezes beira a excentricidade, mas o teor das temáticas é interessantíssimo.
Os roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado (cada vez fico mais fã do trabalho deles, que conseguem mesclar diálogos inteligentes com comicidade; adorei os seriados "Separação" e "O sistema") falam de assuntos que realmente intrigam os homens e as mulheres, todos relacionados a amor e sexo (e há algo que nos intrigue mais?), mas fazem isso de forma engraçada, para não ficar pesado ou constrangedor demais.
Devo destacar as atuações. Marisa Orth é sempre ótima, não varia muito em sua forma de atuar, mas sabe fazer como ninguém o papel de mulher perturbada. Apesar de bonita, ela não tem muita vergonha de parecer ridícula, e isso é fundamental para um papel que exige que a atriz não seja pudica.
Jorge Fernando segue a mesma linha, não me parece ter várias nuances como ator, mas sabe ser engraçado como ninguém, e acho que isso é mais que suficiente para "Macho Man".
As coadjuvantes são um destaque à parte. As atrizes Rita Elmor (que já havia feito um papel legal em "Separação legal") e Natália Klein (não a conhecia, mas a acho formidável) estão hilárias como uma bêbada e uma gótica que sempre soltam frases loucas.
Mas o destaque maior, dou mesmo a Fernanda Young e Alexandre Machado, que estão mais afiados que nunca! Estava faltando, na TV brasileira, um programa que falasse de romances, sexo, homossexualidade, inseguranças e todos os demais temas que envolvem a relação homem e mulher (ou homem e homem, como o próprio "Macho Man" mostra), com tanta ousadia e cara de pau.
Nos EUA, que são bem mais conservadores que o Brasil, estas temáticas já são motes para programas de TV há algum tempo, e geram incrível sucesso. Assim foi com a excelente e divertida "Sex and the city", que durou seis temporadas.
Young e Machado perceberam isso. Já abordavam amor e sexo em suas produções anteriores, mas acho que nunca foram tão longe quanto em "Macho Man". A começar pelo próprio enredo: a história gira em torno de um gay que passa a ser heterossexual! Desnecessário debater se isso é possível ou provável; legal mesmo é ver os embaraços e aventuras que ocorrem a partir disso.
Tal qual "Sex and the city" já mostrou, conflitos sexuais e românticos têm mais chance de serem bem abordados quando mostrados pelo ponto de vista das mulheres, que nutrem mais inseguranças neste aspecto do que os homens - ou talvez porque simplesmente reflitam mais sobre isso do que os homens, que preferem a parte prática. Em "Macho Man", a personagem feminina é Valéria (interpretada por Marisa Orth), uma cabeleireira que perdeu 20kg mas ainda não recuperou a autoestima que foi destruída ao longo de anos vivendo com o estigma de "gorda".
Vez ou outra, lá está Valéria debatendo com suas colegas de salão ou com o seu melhor amigo, que é agora um "ex gay", sobre questões que a afligem, como mulher e como "ex gorda". É nestas horas que mais me divirto. Simplesmente adoro a forma como Young e Machado constroem as situações: Valéria está sempre desabafando e filosofando, criando teorias malucas (mas totalmente providas de sentido, eis a parte mais louca e incrível!) sobre as dificuldades nos relacionamentos amorosos, e em contraponto, seus colegas estão sempre tentando incrementar a discussão com relatos pessoais bizarros, ou simplesmente encarando o dito por Valéria por um lado mais engraçado ou improvável.
Exemplo perfeito disto é o diálogo travado entre as personagens no décimo episódio, que foi ao ar em 10/06/2011:
Valéria:Acho sexo um saco.
Veneta: Exatamente como eu vejo, um saco.
Tifany: Eu gosto.
Valéria: Não. Você gosta de homem. Homem gosta de sexo, então o sexo vem no pacote.
Tifany: Qual a diferença?
Valéria: A diferença é que os homens transam e ficam satisfeitos, as mulheres transam e ficam inseguras.
Veneta: Exatamente, eu sempre tenho dúvidas se eu fingi direito.
E depois, Veneta ainda vem com esta:
- Mulher não quer sexo, mulher quer homem, mas homem quer sexo, então a mulher engole.
Genial! Piadas de duplo sentido, confissões, inseguranças femininas, comparações entre homens e mulheres, está tudo aí. Só mesmo "Macho Man" fala de assuntos tão delicados e polêmicos com tanto atrevimento, de forma tão engraçada.
Outro aspecto que adoro no seriado é o fato como sempre decidem fazer algum jogo ou festa maluca entre os personagens. Ah, e vale frisar, todos os personagens têm algum lado obscuro ou excêntrico. Ninguém é absolutamente "normal" - e mesmo fora das telas, alguém é?
Tudo isto contribui para que assuntos sérios e verossímeis sejam abordados, mas com leveza. "Macho Man" convida-nos a refletir sobre sexo e romance, mas a rir disso também. Não traz respostas, e tampouco é essa a intenção. O propósito é divertir mesmo. Eu poderia dizer que o seriado trata de filosofia do amor e do sexo, com pitadas muito generosas de humor.
Outro seriado que aborda as mesmas temáticas, de forma tão engraçada quanto, é "Two and a half men" (que o SBT exibe às madrugadas com o nome de "Dois homens e meio"). É uma das atrações que mais tenho assistido nas últimas semanas, e tenho me divertido como nunca!
Interessante é que, em "Two and a half men", amor e sexo são mais discutidos sobre o ponto de vista masculino - e apesar de eu ter dito há pouco que o ponto de vista feminino rende mais, devo admitir que as abordagens são muito bem sucedidas e interessantes.
Na série, dois irmãos completamente diferentes se vêem dividindo o mesmo teto. Há ainda um garoto, Jake, filho de um dos irmãos, Alan - o mais conservador, é bom destacar -, que se vê às voltas com as diferenças do pai com o tio. Seu tio é Charlie, um solteirão boêmio que vê sexo e mulheres como passatempo, aliás, como seu passatempo predileto. Imaginem o tipo de influência que ele representa para o sobrinho! É isto que rende as situações mais hilárias.
Alan: Charlie, na minha idade todos meus amigos estão casados ou mortos.
Charlie: E qual a diferença?
"Two and a half men" já vai para a sua nona temporada, e eu me alegro em saber que não assisti nem um décimo de todos os episódios. Cada um é mais legal que o outro.
Há duas coisas que chamam a minha atenção no seriado, e que me fazem com que eu dê aos criadores e roteiristas dele os meus parabéns: em primeiro lugar, a quantidade de piadas excelentes. Geralmente, em sitcoms americanas, encontramos duas ou três piadas boas em um episódio, e nem sempre são tão boas, mas o contexto geral te proporciona diversão. Já "Two and a half men" é sempre garantia de risadas. Os personagens são divertidíssimos, e as situações estão sempre ensejando tiradas rápidas e inteligentes.
A segunda coisa que quero destacar é a que, particularmente, mais me encanta: é a psicologia sempre implicitamente inserida nas piadas e na própria essência dos personagens. Charlie, apesar da pose de "garanhão", é obviamente um homem inseguro e emocionalmente imaturo. Tal qual seu irmão, sofre as consequências da criação (ou da falta de criação!) egoísta dada por sua mãe, Evelyn, e por isto mesmo, não sabe muito bem como lidar com as mulheres. Mas acha que sabe, ou até saiba, mas só o suficiente para conseguir a única coisa que espera delas: sexo. Quando a relação começa a envolver sentimentos e expectativas, Charlie se esquiva.
Certa vez assisti a um episódio interessantíssimo (o o décimo quinto da sexta temporada, mais especificamente) em que Charlie e sua namorada Chelsea vão a uma terapeuta de casais. Outro episódio muito bom é um em que alguma mulher (não me lembro qual a personagem) tentava explicar a Charlie essa relação entre seu relacionamento mal sucedido com sua mãe, e seu comportamento com as mulheres.
Neste site, a psicóloga Fernanda Davidoff fez uma análise psicológica muito interessante desta relação. Permitam que eu colacione apenas um fragmento dela:
"Ela (a mãe de Alan e Charlie) vampirizou a possibilidade de ele (Alan) confiar no mundo e nas pessoas, pois além do dinheiro, suas doses de “carinho” trazem a frieza e a falta de contato. Evelyn, uma mulher narcisista, é incapaz de olhar para as verdadeiras necessidades dos filhos e muito menos fornecer-lhes o que precisam. Agora adultos, eles já formaram defesas para sobreviver, mas só as criaram porque foram submetidos a uma mãe invasiva, controladora, que não deixou que eles se desenvolvessem sem cicatrizes emocionais."
A discussão pode ir muito mais longe. A cada episódio temos novas pistas para desvendar essa intrigante relação, e a forma como ele afetou o desenvolvimento psicológico de Alan e Charlie, e ainda, como tudo isto tem afetado o menino Jake.
Enfim, ademais de todo o humor, essa parte psicológica por trás dos conflitos dos personagens de "Two and a half men" dá à série um charme especial, e a torna ainda mais interessante.
Acho muito bom ver estes assuntos aparecendo nas séries de TV. Podemos simplesmente rir delas, ou realmente pensar sobre as reflexões que elas propõem. Mas o melhor é mesmo poder fazer os dois ao mesmo tempo.
A maioria das pessoas vive como discípula de Gabriela: "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim". Acham bonito dizer que "sou assim e não vou mudar". E ainda exigem: "quem quiser gostar de mim, tem que gostar do jeito que eu sou".
Certamente crêem que estes chavões são indicativos de personalidade forte. Com todo o respeito, a mim mais parece teimosia e ignorância.
Só mesmo uma pessoa muito teimosa pode querer estar presa às próprias raízes, sem considerar qualquer possibilidade de corrigir os próprios erros.
Só sendo muito orgulhoso para não dar o braço a torcer, não reconhecer os próprios defeitos e não estar disposto a mudar, mudar para melhor.
Só sendo muito "cabeça dura" para preferir "morrer assim", só porque "nasceu assim" e "cresceu assim".
Com todo o respeito pela composição de Caymmi e por todos que achem bonito repetir esses bordões, digo apenas: mostrar-se inclinado a mudar, a rever posturas, a reconsiderar decisões e repensar o seu próprio jeito de ser, não é sinal de fraqueza; é sinal de grandeza. Os teimosos é que são fracos, crianças birrentas sem coragem de dar a cara a tapa e assumir os próprios erros, preferindo justificá-los com o argumento de que fazem parte de sua própria natureza.
Juscelino Kubitschek uma vez disse: "Volto atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro". São palavras de muita sabedoria, a meu ver. Não são, Gabriela?
"Segundo a idéia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados. E assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. E ainda uma conseqüência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.
(...)
Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. - Hahnemann. (Paris, 1863.)."
(O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo IX, "A cólera")
Mesmo se eu nunca ver seu rosto e asas te levarem para longe de mim,
e mesmo que o amanhã nunca aconteça
Se o mundo desmoronar, e desabar diante de nós
Se o destino se tornar cruel e você estiver de joelhos,
tão desesperado por uma verdade
Saiba que eu te amei..."
("I have loved you", Jessica Simpson)
Ao olhar as manchetes do site da UOL hoje pela manhã, uma fotografia chamou a minha atenção. Ei-la:
A manchete era a seguinte: "Militares voltam aos EUA após servirem no Afeganistão". A foto acima registrou o reencontro de um jovem casal do Estado do Colorado.
O carinho entre eles e a emoção nos olhos (sim, pois mesmo de olhos fechados é possível notar o afeto) me inspirou e me fez lembrar de várias canções, poemas, romances e filmes nos quais um casal enamorado é separado por uma guerra: o filme "Querido John", baseado no livro de Nicholas Sparks; a obra "Iaiá Garcia", de Machado de Assis, em que Jorge declara-se apaixonadamente a Estela antes de ir servir na Guerra do Paraguai (até mesmo citei, nesta ocasião, as belas palavras que ele disse); o filme "O anjo negro", de 1935, protagonizado pela minha adorada Merle Oberon, em que ela vê dois pretendentes seus indo servir na I Guerra Mundial...
Creio que, em situações como estas, o aspecto mais triste não é a saudade, e sim, a espera. A espera desacompanhada de certezas, de respostas. E nestes momentos é que nosso sentimento é colocado à prova...
Afinal, quem ama verdadeiramente deve esperar? Em que sentido devemos interpretar a palavra "fidelidade", nos momentos em que estamos à espera da pessoa amada? Vale a pena postergar planos em nome de um amor cujo momento do desenlace é imprevisível?
Bem, todos temos nosso livre arbítrio, e como um relacionamento consiste em um acordo de decisões, em que a vontade de ambas as partes deve comungar, creio que cabe a cada casal determinar quais regras quererá seguir. Mas uma coisa é certa: o reencontro sempre acontece. Ainda que não na mesma vida, mas um dia, sim, um dia, as almas separadas voltam a se encontrar.
Na Bíblia, na primeira epístola de Paulo aos Coríntios, vemo-los dizer que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (13:7). Já nesta bela canção de autoria de Herbert Vianna, também interpretada por Marisa Monte, vemos como o amor pode ser impaciente e ávido. "O amor não sabe esperar", diz o eu-lírico. Seria um sinal de imaturidade da pessoa que ama?
Amor requer maturidade. Não estou aqui falando de paixão, desejo, amor carnal ou mero romance. Falo de amor, do sentimento na sua forma mais sublime; aliás, na sua própria essência, pois a própria essência do amor é pura e sábia, nós é que o distorcemos e banalizamos.
Quem ama deve ser maduro o suficiente para entender que o objeto de nosso amor é também um ser humano, com suas imperfeições e peculiaridades. Não é um boneco, um ser moldável, um recipiente onde despejamos tudo que sentimos e podemos também pegar um pouco daquilo que queremos. É um ser humano, sujeito a tantas falhas como nós, ou até mais, às vezes menos.
Quem ama de verdade, espera. Espera porque tem paciência com os defeitos do ser amado. Espera porque respeita, porque não tolhe, porque não exige mais do que a pessoa pode dar. O verdadeiro amor sabe esperar. Resta saber se estamos dispostos a viver esse verdadeiro amor. Por ora, pode não ser conveniente, e então, temos o direito de optar por não querer esperar. Arcaremos com as consequências disso, sejam elas boas ou ruins. A vida é assim: de uma maneira ou de outra temos que fazer escolhas e lidar com as circunstâncias que elas trazem.
Porém, a quem escolheu viver o amor, faz-se necessário muito equilíbrio e maturidade, porque nunca se sabe o que nos aguarda após a espera. Nada pode nos dar a certeza de que a espera valerá a pena. E aí? Somos maduros o suficientes para lidar com isso? Quando o período de espera acabar, e as coisas não saírem exatamente como esperávamos, somos capazes de aceitar que nós mesmos assumimos este risco? Somos homens ou mulheres o suficiente para arcar com as consequências de nossas próprias escolhas, sem jogar toda a culpa na outra pessoa?
Quem vai não faz promessas a quem fica. E se faz, está errado, e imaturo é quem acredita nelas. Ninguém pode prever o futuro. Ninguém pode definir como serão as coisas após um grande período de tempo. Quanto mais dura a espera, mais as partes estão sujeitas a se modificarem. A vida, o tempo, o ambiente, as pessoas, tudo influi em nosso modo de ser. Após tanto tempo separados, pode ser que um casal não seja mais o mesmo quando se encontrar. Trata-se de duas pessoas diferentes agora. Tudo pode voltar a ser como antes, ou pode ser melhor, ou pode não dar certo. Esse é um risco que assumimos quando escolhemos esperar. Talvez não sejamos fortes o suficiente para reconhecer que a culpa é toda nossa quando criamos expectativas e sonhamos que tudo será lindo. Mas, ao menos, precisamos ser sensatos a ponto de não depositar no outro as nossas frustrações.
A mulher grávida espera 9 meses por uma pessoa que não sabe como será. Talvez seja uma criança linda, talvez seja um bebê extremamente desagradável, talvez tenha uma doença rara e grave... talvez nem chegue a nascer com vida! Mas ela espera. Mesmo com todas estas possibilidades, ela espera, e quando a espera acaba, ela precisa cuidar da criança que nasceu e dar a ela todo o seu afeto, independente de qualquer coisa. Afinal, ela tomou para si esse encargo quando engravidou - mesmo se não engravidou porque quis.
Quem espera, faz isso por sua conta e risco. É preciso saber que, assim como há chances de a espera valer a pena, há chances de que nem tudo seja tão bom quanto queremos. De qualquer forma, a espera é um teste, em que nossos sentimentos são colocados à prova; porém, mais ainda, o que é colocado à prova é a nossa maturidade e a nossa capacidade de fazer escolhas e lidar com as consequências delas.
Já estamos na metade do ano. Se, por um lado, julho pode representar férias, descanso e lazer, por outro, é interessante não deixar que o mês se restrinja a apenas estas coisas. É um bom momento para avaliar como tem sido o ano até agora. O que fizemos destes seis meses? Em que aspecto 2011 tem sido melhor ou pior que 2010, e que os anos anteriores de nossas vidas?
É com muita satisfação que respondo, a mim mesma, a estas perguntas. 2011 tem sido magnífico, proveitoso, gratificante. Por que tenho sorte? Óbvio que não (sorte não existe, o que existe é o merecimento de cada um). Porque eu quis. Porque eu lutei, fui atrás e consegui. Deus ajudou, várias pessoas maravilhosas participaram destas conquistas, mas também tenho o meu mérito.
Esforcei-me, superei-me, batalhei, suei (literalmente!), gastei as forças que tinha e algumas que nem sabia ter... E, tcharam! Deu certo! Tem dado certo, felizmente. E é só o começo. Quero muito mais. E vou conseguir, porque agora peguei o ritmo e já sei o que é preciso fazer.
Melhor do que ouvir elogios, congratulações e ser reconhecido por suas conquistas e disciplina, só mesmo é poder sentir orgulho de si mesmo. Ah, como é gostoso! Olhar-se no espelho, avaliar-se, recordar tudo que passou, e sentir que tudo valeu a pena. É uma delícia chegar ao fim de um dia e pensar: "fiz todas as coisas que devia, e fiz tudo bem feito"; ou, melhor ainda, pensar: "fiz muito mais que o necessário, realmente me superei".
Sim, neste semestre eu me superei, em vários aspectos. Em quatro, especialmente. Não considero adequado mencionar quais; afinal, minha intenção, com este blog, nunca foi me expor ou me vangloriar. Longe disso, o que almejo é compartilhar coisas boas com quem estiver a fim de ler o que eu escrevo, e armazenar estas coisas para mim mesma, para que eu forme pouco a pouco as convicções que formarão o legado que quero deixar para meus filhos. Mas ah... Como é bom poder dizer que estou tão orgulhosa de mim! Tudo valeu a pena! Apenas seis meses se passaram e já colho os louros. Imagino o que ainda me aguarda se eu continuar persistindo, acreditando, lutando e me esforçando!
Porém, se ao fim de um dia, um mês, um semestre ou até mesmo uma vida, não pudermos ter esse mesmo prazer de olhar para trás e sentir orgulho, não enxerguemos nisto uma desculpa para persistir no erro ou na inércia: sempre é tempo de começar, ou de recomeçar!
E digo estas coisas com a consciência tranquila, sem o menor receio de ser considerada demagoga, porque esta é uma lição que se tem feito presente em minha vida. É clichê, mas é verdade: nunca é tarde para dar o primeiro passo, para nos melhorarmos, para fazer alguma coisa boa por si mesmo ou por alguém.
Assim como é verdade que um jogo de futebol pode ser decidido aos 45 minutos do segundo tempo...
Assim como é verdade que os parágrafos finais de um livro podem fazer com que a leitura de centenas páginas tenha valido a pena...
Assim como é verdade que uma boa ação praticada segundos antes do fim de uma vida ainda assim pode mudar o mundo...
... Também é verdade que sempre é tempo para agir.
Então, faço este convite a todos que me lêem: vamos nos melhorar? Vamos nos amar mais? Vamos amar mais as pessoas que vivem conosco? Vamos colocar em ação aqueles planos que nunca tiramos do papel? Vamos viver mais saudavelmente, alimentarmo-nos melhor, fazer mais exercícios? Vamos reclamar menos, fofocar menos, criticar menos, agir mais, elogiar mais, sorrir mais? Vamos estudar mais, ler mais? Vamos tentar gastar melhor o nosso tempo? Vamos evitar fazer aquelas pequenas coisinhas que sabemos que machucam as pessoas que mais gostamos? Vamos parar de encontrar desculpas para o sucesso dos outros e começar a lutar pelo nosso próprio? Vamos acreditar mais em nosso próprio potencial?
"Vim, vi e venci", frase imortalizada pelo líder romano
Júlio César, após ter vencido uma grande e difícil batalha
Ah, vamos! Não estou propondo que, de um dia para o outro, nós nos tornemos pessoas perfeitas, ou que abandonemos de uma vez todos os nossos vícios e futilidades. Estou falando de reformas pequenas, coisas pequenas, detalhes que podem fazer toda a diferença. E fazem, podem ter certeza.
No início, estamos fazendo esforços pequenos, mudando coisas pequeninas; depois, tentemos nos esforçar um pouco mais, fazer um pouco mais do que ontem; e então, gradativamente, estaremos fazendo coisas que há tempos atrás mal imaginávamos que poderíamos conseguir. É tão bom comparar a si mesmo com a pessoa que éramos no passado, e perceber que estamos melhores!
O segredo é ter força de vontade e não deixar que as coisas ruins nos abalem. O maior erro que podemos cometer, ao cair, é perder tempo lamentando a queda ou exaltando a dor. Ora, levantemos logo!
Muitas vezes, por fraqueza, enxergamos uma falha nossa como desculpa para não precisar mais nos esforçar. Grande, grande, enorme erro! Não podemos cair na tentação de crer que "já que está tudo perdido mesmo, continuarei fazendo as coisas do jeito errado". Nunca. O momento é de levantar, erguer a cabeça e seguir em frente. E logo! Só assim chegaremos onde queremos. Não importa quanto tempo levará, mas chegaremos.
"Fracassado é aquele que abandona a luta ou nega-se a travá-la.
Dificilmente logrará vitória quem se recusa a enfrentar os desafios do cotidiano.
O homem são as suas tarefas, que devem ser enfrentadas com decisão e coragem.
Em todo cometimento multiplicam-se as dificuldades e as problemáticas se repetem.
Quedas e aparentes insucessos são experiências que, repetidas, favorecem o homem com o êxito que deve perseguir até o fim.
Desistir do empreendimento porque se apresenta difícil, significa abandonar-se a contínuos insucessos.
Não recear jamais, nem ceder à tentação da desistência na luta de ascensão."
(Versos iniciais da mensagem "Podes, se queres", de Joanna de Ângelis, do livro "Otimismo", de psicografia de Divaldo Pereira Franco)
Outro erro é a pressa, é a ansiedade por ser reconhecido. Conquistas árduas são realizadas lentamente, afinal, tudo que vem fácil, vai fácil. Porém, as coisas que conquistamos com muito tempo e suor, estas sim ficam!
Enfim, espero ter conseguindo transmitir essa maravilhosa sensação que se apoderou de mim quando decidi avaliar o meu primeiro semestre de 2011. Estou feliz, orgulhosa, e tenho a obrigação de compartilhar isto com quem queira me ouvir, ou melhor, ler.
Sei que tudo que escrevi pode ter soado como besteira ou um amontoado de frases de livro de auto ajuda, mas acreditem: é tudo verdade. Funciona mesmo! Dou minha palavra.
A todos que se encontrarem neste estado de preguiça, seja ela física, mental ou espiritual (eu também nele me encontro, muitas vezes), fique esta pequena mensagem: coragem, e vamos em frente!
E, por fim, para abrilhantar e encerrar este texto, deixo a vocês esta bela e profícua mensagem "Reforma íntima", de Joanna de Ângelis, psicografada por Divaldo Pereira Franco, que consta no livro "Vigilância":
"A reforma íntima!
Quanto puderes, posterga a prática do mal até o momento que possas vencer essa força doentia que te empurra para o abismo.
Provocado pela perversidade, que campeia a solta, age em silêncio, mediante a oração que te resguarda na tranqüilidade.
Espicaçado pelos desejos inferiores, que grassam, estimulados pela onde crescente do erotismo e da vulgaridade, gasta as tuas energias excedentes na atividade fraternal.
Empurrado para o campeonato da competição, na área da violência, estuga o passo e reflexiona, assumindo a postura da resistência passiva.
Desconsiderado nos anseios nobres do teu sentimento, cultiva a paciência e aguarda a bênção do tempo que tudo vence.
Acoimado pela injustiça ou sitiado pela calúnia, prossegue no compromisso abraçado, sem desânimo, confiando no valor do bem.
Aturdido pela compulsão do desforço cruel, considera o teu agressor como infeliz amigo que se compraz na perturbação.
Desestimulado no lar, e sensibilizado por outros afetos, renova a paisagem familiar e tenta salvar a construção moral doméstica abalada.
É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores. Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, a requeimarem por dentro, passados os primeiros momentos.
Ninguém foge aos desafios da vida, que são técnicas de avaliação moral para os candidatos à felicidade.
O homem revela sabedoria e prudência, no momento do exame, quando está convidado à demonstração das conquistas realizadas.
Parentes difíceis, amigos ingratos, companheiros inescrupulosos, co-idealistas insensíveis, conhecidos descuidados, não são acontecimentos fortuitos, no teu episódio reencarnacionista.
Cada um se movimenta, no mundo, no campo onde as possibilidades melhores estão colocadas para o seu crescimento. Nem sempre se recebe o que se merece. Antes, são propiciados os recursos para mais amplas e graves conquistas, que darão resultados mais valiosos.
Assim, aprende a controlar as tuas más inclinações e adia o teu momento infeliz.
Lograrás vencer a violência interior que te propele para o mal, se perseverares na luta.
Sempre que surja oportunidade, faze o bem, por mais insignificante que te pareça. Gera o momento de ser útil e aproveita-o.
Não aguardes pelas realizações retumbantes, nem te detenhas esperando as horas de glorificação.
Para quem está honestamente interessado na reforma íntima, cada instante lhe faculta conquistas que investe no futuro, lapidando-se e melhorando-se sem cansaço.
Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício.
Toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço.
Trabalha-te interiormente, vencendo limite e obstáculo, não considerando os terrenos vencidos, porém, fitando as paisagens ainda a percorrer.
A tua reforma íntima te concederá a paz por que anelas e a felicidade que desejas."
Como amante de clássicos do cinema hollywoodiano que sou, nunca havia me perdoado por nunca ter assistido o épico musical "Cantando na chuva". Nesta semana, tive enfim a oportunidade de fazê-lo. Adorei!
Estrelado por Gene Kelly (como ele é lindo! Que pele, que dentes, que sorriso, que alegria!), Donald O'Connor (como ele é gracioso! Engraçadíssimo, um palerma, mas um palerma adorável!) e Debbie Reynolds (como é linda! Tão doce, singela e ao mesmo tempo forte, com uma voz tão bela e um rostinho tão donzel!), "Cantando na chuva" foi lançado em 1952 e até hoje fascina as pessoas.
Sempre quis entender o que havia de tão mágico nesse filme, e embora não tenha encontrado uma razão exatamente plausível, o que posso dizer é que me senti contagiada por essa magia que todos falam.
O filme não traz nenhuma grande novidade na história do cinema. A história, as canções e coreografias não destoam tanto de todos os outros musicais dos anos 1940 e 1950 que já assisti. As características comuns a este gênero, desta época, estão todas presentes: a alegria exagerada dos personagens, o excesso de cores, o sapateado, a ingenuidade, as piadas sem maldade, o romance sem erotismo... Todos os grandes musicais eram assim.
Mas "Cantando na chuva"... Não sei dizer. É tão incrível! Tudo está em perfeita sintonia neste filme. Se fosse preciso descrevê-lo com duas palavras, seriam: magia e ingenuidade.
É, sem dúvidas, um filme feito para entreter, e só. Não há uma grande lição de moral, mas há sim, personagens carismáticos, interpretados por bons atores que chegam a reluzir de tão sorridentes e empenhados em oferecer aos espectadores um bom espetáculo.
Sim, é isso que "Cantando na chuva" é: um bom espetáculo. É entretenimento, puro e simples, contagiante e lindo, ingênuo e sutil. São cores, notas musicais, saltos, risos. São minutos de bom lazer, sem maldade, com a simples intenção de proporcionar alguns momentos agradáveis. E só por ser isso, já é muito, já é lindo, já é mágico, é um clássico.
Eu demorei bastante tempo para entender que você não é uma referência de uma verdade incontestável.
Por anos, você foi o meu padrão, o meu exemplo, a minha bússola. Eu analisei o mundo inteiro pelos seus termos. Eu acreditei, por muito tempo, que só podia estar certa quando você achasse que eu estava. Que eu só era aquilo que você achava que eu era. Que o belo e o incorreto eram apenas as coisas que você julgassem ser belas ou incorretas. Você era meu referencial de vida, de mundo, de razão. Levou muito tempo para eu entender que as coisas não são exatamente assim.
Não que você esteja totalmente errado ou que seus parâmetros de vida sejam totalmente inapropriados. Em 99% das vezes, você estava certo. Quase tudo que você diz condiz com a realidade, e seu gosto realmente é bom.
Não estou aqui para te condenar. Você é incrível. Só não é tudo.
Você foi o meu padrão. E demorou muito para eu entender que você é isto: um padrão. Um. Um entre tantos que podem ser seguidos. Eu achava que era o único.
Demorou muito, muito, muito tempo para eu entender que existe um horizonte além daquele que você me apresentou. Aliás, um não: existem vários. Se bons ou ruins, eu acho que agora posso avaliar sozinha.
Agora finalmente entendo que posso ter qualidades ou defeitos que você não veja em mim. Que não deixo de ser o que sou só porque você não acha que eu seja. Que posso muito bem fazer coisas que você não concorde que sou capaz. Enfim, agora concluo que o mundo não se resume a você. Que a sua opinião é a sua opinião, e não a lente pela qual devo enxergar o mundo.
Talvez eu tenha me libertado de uma velha prisão. Não necessariamente uma prisão ruim, pois é inegável que aprendi demais com você; aprendi quase tudo. Mesmo quando quis me impor uma visão de mundo, sua intenção era a melhor possível. Então talvez seja maldoso de minha parte referir-me aos seus conceitos como uma prisão. É melhor dizer que talvez agora eu finalmente te veja como um ser humano, com suas verdades e ideias, que são muito sábias, porém, estão também sujeitas a estarem erradas.
Eu sei que você sente falta das suas antigas amizades. Sei também que, apesar disso, você quase não mais guarda afinidade com elas.
Você parece não entender porque não ri mais das piadas deles. Esforça-se piamente para gostar do que eles continuam gostando, procurando dentro de si mesmo alguma empatia pelas coisas que ouve saindo da boca deles. Você diz a si mesmo que costumava adorar tudo isso, por que não gosta mais? Onde foram parar as coisas em comum?
Eu, do lado de fora, pareço estar entendendo o que está havendo. Eles continuam presos às mesmas trivialidades do passado. E você, não.
Imagino como deve ser sentir falta de ter com quem estar, sentir falta das coisas que vocês faziam juntos... Porém, aqueles foram outros tempos. Você é agora uma pessoa muito melhor do que foi ontem. Desde que te conheci, você mudou tanto... Há hoje, em sua vida, pouco ou nenhum espaço para as coisas que antigamente te divertiam, e que ainda diverte a eles.
Faz anos que te conheço. Todo esse tempo fez bem a você.
A impressão que tenho é que o tempo passou, você andou, andou, andou... E eles ficaram para trás.
Não queira regredir só para ter de volta as suas velhas amizades. Deixe que o tempo e a circunstâncias da vida se encarreguem de fazer com que elas te alcancem, ou ainda, que te tragam novas amizades, à altura da sua magnitude, e que acrescentem alguma coisa na sua vida.