quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Fernando Pessoa, Espiritismo e física quântica


"Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. Tudo que cessa no que vemos é em nós que cessa. Tudo que foi, se o vimos quando era, é de nós que foi tirado quando se partiu."
(Fernando Pessoa, em "O Livro do Desassossego")



Lendo Fernando Pessoa, às vezes pode parecer que certas frases que ele dizia eram formadas tendo em vista apenas a beleza das palavras, o modo como elas soam quando ditas juntas. Refletindo mais detalhada e profundamente, todavia, chegamos à conclusão de que, em suas sentenças aparentemente loucas, havia muito mais sabedoria do que podemos imaginar.


Analisemos estas frases acima colacionadas, por exemplo. A um leitor menos atento, ou menos disposto a filosofar um pouco, podem soar como só mais um devaneio do escritor português.


Entretanto, até mesmo a Física Quântica, a Psicologia e - claro, a mais completa de todas as doutrinas - o Espiritismo estão de acordo.


As coisas existem porque fazemo-las existir. A realidade que enxergamos é a que nós mesmos projetamos. Vemos as situações conforme queremos que elas sejam. 


"Segundo David Icke, nós não enxergamos com os nossos olhos e sim com o nosso cérebro. Ele vê o que foi condicionado desde criança pela educação, cultura, sistema de crenças etc. Se formos hipnotizados e programados a não ver alguém que estará na nossa frente, ao voltarmos do estado hipnótico, não a veremos. Essa experiência já foi feita e nos remete para a certeza de que nós construímos a nossa realidade dentro de nós e não fora."
(Vera Ghimmel, em "Realidade ou universo holográfico?". Disponível em: http://soubem.forumais.com/t37-realidade-ou-universo-holografico)

Sob esta ótica, torna-se fácil compreender porque duas ou mais pessoas, passando pelas mesmas coisas, podem avaliá-las diferentemente. O que a Filosofia chama de subjetividade, e a Física Quântica relaciona à multidimensionalidade, o Espiritismo, por sua vez,  em uma conjuntura completa, lógica e aprimorada, chama de evolução espiritual e individualidade do Espírito. 


Sobre a maturidade espiritual, encontramos, nas obras de Allan Kardec, explanações como a seguinte:


"...Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encamado."
(O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XVII)


E quanto à individualidade do Espírito:


"Se as almas não se diferenciassem no todo, teriam apenas as qualidades do conjunto e nada poderia distingui-las umas das outras; não teriam nem inteligência, nem qualidades próprias. Porém, muito ao contrário disso, em todas as comunicações demonstram ter consciência do seu eu e uma vontade própria. A diversidade que apresentam em todas as comunicações é conseqüência da sua individualidade. Se após a morte houvesse somente o que se chama de o grande Todo que absorve todas as individualidades, esse Todo seria uniforme e, então, todas as comunicações do mundo invisível seriam idênticas. Uma vez que lá se encontram seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e infelizes, e de todas as espécies: alegres e tristes, levianos e sérios, etc., é evidente que são seres distintos."
(Pergunta 152 do Livro dos Espíritos)


"Cada Espírito é sempre o mesmo eu, antes, durante e depois da encarnação, sendo esta, apenas, uma fase da sua existência."
(A Gênese, capítulo XI, item 22)


A Física Quântica, baseada na teoria segundo a qual não há somente uma dimensão, mas várias, explica porque cada indivíduo vê as coisas a seu modo: 



"Para justificar as propriedades “percebidas” na matéria, a Física Quântica apresenta, por formulações matemáticas, a multiplicidade de dimensões. O que antes eram quatro (três mais o tempo), passou a ser onze, incluindo, inusitadamente, a dimensão espiritual. As onze dimensões (dez espaciais e uma temporal) são padrões vibratórios diferentes. Enxergamos (percebemos) pela consciência em três dimensões. Se em quatro dimensões já é complexa a percepção da realidade pelo ser humano, o quão inimaginável deve ser quando o número é maior. 
As dimensões apresentadas pela Física Quântica não são, como pode parecer, isoladas entre si. São interrelacionadas, indissociadas como a linha é do ponto que a forma. Elas se interpenetram sem que se possa encontrar uma unidade dissociada de um todo, tampouco uma totalidade em que se possa resumi-las. Unidade e totalidade se equivalem, portanto, seus constructos lógicos não são suficientes para assambarcar a realidade multidimensional.

Chegaria ao ser humano comum, em sua vida cotidiana, a percepção das onze dimensões? Para que elas servem? São perguntas que exigem raciocínio complexo com respostas não tão simples. Pelo menos, sabemos que a complexidade do Universo é maior do que supomos e do que captamos. Vivemos numa limitada e estreita faixa de percepção, pois nossos sentidos físicos bloqueiam a maior parte dos fenômenos do Universo. Provavelmente ocorrem muitos fenômenos à nossa volta sem que tenhamos a menor noção de como e porque ocorrem, mas que interferem no nosso modo de ser.

Conceitos como Deus, Vida, Natureza, Universo, entre outros, são utilizados, por vezes, para significar algo que responde ou dispõe a realidade para a consciência humana, como uma certa força, não material, que comanda (tudo que é físico, psíquico e espiritual) todas as dimensões e reordena a realidade segundo fatores internos da mente humana. Esses conceitos configuram uma determinada realidade em que nos situamos, compondo um mosaico de possibilidades de ação e realização. À medida que modificamos conceitos e integramos novos significados, nos inserimos em outras realidades, ou as criamos, penetrando dimensões inacessíveis pelos sentidos físicos, mas alcançáveis pelos novos modos de concepção. 
Nada garante que os atributos daquela força, de fato, pertençam a algo externo, tampouco se encontrem no próprio ser humano. Se assim fosse, veríamos, em todos, a mesma crença e a mesma competência de reconfigurar a realidade. 

(...) 

Independentemente das dimensões apresentadas pela Física Quântica, outras existem 23  que promovem a complexidade da vida humana. As dimensões a que me refiro são aquelas que nos vinculam ao outro e que põem o ego nas relações. No interior da psiquê humana, existem diferentes dimensões que nos vinculam nas relações com o outro.

(...) 

A realidade é incrivelmente complexa e admiravelmente fantástica. Qualquer tentativa de limitá-la ao convencionalismo ortodoxo das religiões é menosprezar a   própria   inteligência humana.  São múltiplas as possibilidades de realidade à disposição da imaginação humana. A liberdade é um capítulo da experiência humana que pode e deve ser vivido na construção dessas possibilidades de realidade. Cada ser humano tem a liberdade de criá-las e de vivenciá-las como lhe prover.
Realidade, existência, vida, mundo externo, representação e vontade, dimensão etc., isto é, aquilo que se apresenta para que o Espírito se manifeste, aconteça, “experiencie”, é algo que, de fato, se torna cada vez mais complexo à medida que a consciência do eu, como individualidade, evolui."
(Adenáuer Novaes, em "Psicologia e universo quântico")


Parece-me muito interessante pensar que o conjunto formado por tudo aquilo que podemos ver, atestar e tocar não é o único ângulo sobre o qual se pode observar as coisas; e que, conforme expandimos nossos conhecimentos e aperfeiçoamo-nos moralmente (em outras palavras: conforme nosso Espírito avança nos graus da escala evolutiva), somos capazes de enxergar diferentemente, cada vez mais e melhor, adquirindo maior percepção de tudo à nossa volta.

Só mesmo o Espiritismo para vir nos ensinar que Deus é perfeito de tal maneira, que todas as leis criadas por Ele para reger o Universo existem desde sempre, ainda que tenham sido necessários séculos para que a humanidade conseguisse conceber um mínimo delas - e ainda assim, até hoje, não descobrimo-las por completo, exatamente porque ainda não somos suficientemente evoluídos, moral e intelectualmente, para compreendê-las...

“Deus não se engana. Os homens é que são obrigados a modificar suas leis, por imperfeitas. As de Deus, essas são perfeitas. A harmonia que reina no universo material, como no universo moral, se funda em leis estabelecidas por Deus desde toda a eternidade.”
(Pergunta 616 do Livro dos Espíritos)

3 comentários:

Samuel disse...

poxa, super legal! também me envolvo com estas reflexões. Gostei do seu blog.

Samuel disse...

poxa, muito legal! também me envolvo com estas reflexões e aí a gente vai compreendendo um pouco mais do que é a vida. gostei do seu blog, da intenção primeira ser um "caderno de anotações" para fornecer futuramente aos seus filhos pontos que vc fixou importancia.

NATALINO DE JESUS DA SILVA disse...

CADA UM DE NÓS VIVEMOS EM REALIDADE DIFERENTE SEGUNDO O (CONHECIMENTO) QUE CADA UM TEM.