sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que tenho ouvido ultimamente – Parte II: Pop teen “mulherzinha”

Em meu Ipod quase sempre há espaço para este tipo de pop music que quase não tem mais vez hoje em dia, esse pop “chiclete”, feito por e para garotas que gostam de romance e meiguice – generalmente falando, é claro.

Talvez eu esteja muito velha para escutar esse tipo de música, que geralmente é obra de atrizes da Disney que querem se lançar como cantoras, mas e daí? Música é sempre música, sem contra-indicações.

Selena Gomez
Espero não me decepcionar com esta mocinha, mas até hoje quase tudo a seu respeito tem me agradado muito! Divirtia-me com suas travessuras no seriado “Os feiticeiros de Waverly Place”, fascino-me com suas roupas e seus incríveis visuais nos tapetes vermelhos da vida, e acima de tudo, ADORO sua música!

Seu primeiro álbum, “Kiss and tell”, passeia pelo pop rock juvenil e pela dance music. Do primeiro estilo, destaco a animada e poderosa “More”, as fofinhas “I got you” e “I promise you”, e ainda “I won’t apologize”, que é uma das minhas preferidas. Também não posso deixar de mencionar “The way I loved you”, a principal balada romântica do álbum, linda e ingênua como deve ser uma canção de amor cantada por uma menina de 16 anos. Porém, o grande destaque é realmente “Naturally”, que tem uma levada mais eletrônica e foi o grande hit do álbum. A letra fala de duas pessoas que têm uma química forte, que faz com que tudo entre eles aconteça muito naturalmente. Eu poderia até descrevê-la como uma canção muito sensual, se não tratasse do tema com tanto recato.


Seguindo a linha de “Naturally”, o segundo álbum de Selena, “A year without rain”, de 2010, continua investindo na dance music. A faixa-título foi o segundo single e consegui excelentes resultados nas paradas musicais. Eu destaco ainda a fofa “Off the chain”, dançante porém não menos romântica, e a agradável e típica “Live like there’s no tomorrow”, uma autêntica canção da Disney, sentimental e com lições moralistas.


Miranda Cosgrove
A atrizinha de “Escola do Rock” cresceu e ganhou destaque nas produções da Disney, fazendo um enorme sucesso com a série de comédia infanto-juvenil “I Carly”. Apostando fortemente em seu carisma e sua pose de boa-moça, Miranda lançou em 2010 o álbum “Sparks fly”, que teve como primeiro single a fofíssima baladinha “Kissing you”.. Impossível não se deixar envolver pela atmosfera de amor juvenil que a música traz! Destaco ainda as minhas duas outras favoritas do álbum: “Daydream”, que segue o mesmo estilo romântico teen de “Kissing you”, e o pop rock “There will be tears”.  


Outras canções do estilo que tenho ouvido juntamente às canções de Selena e Miranda:
Katharine McPhee – Terrified
Shontelle – Impossible
Colbie Caillat – Begin again
Fefe Dobson – Stuttering 

O que tenho ouvido ultimamente: Parte I – A nova música velha

Sempre deixei muito claro, em todos os meus textos, que amo música e não vivo sem. Embora eu não tenha nenhum dom concernente à arte musical, posso dizer que música é uma das maiores paixões da minha vida; não há um momento do qual ela não faça parte, ainda que apenas em minha mente... Há sempre uma música tocando na minha rádio mental!

Desta forma, certas canções, estilos e artistas acabam marcando certos períodos da minha vida. Adoro escutar alguma canção e me lembrar de alguma coisa, de alguma época em que eu a escutava incessantemente! Relacionar sentimentos e fatos com música é algo recorrente para mim; é automático.

Ultimamente tenho escutado muitas coisas legais e diferentes, e como falar de música é sempre um prazer, resolvi compartilhar as minhas atuais preferências – até para divulgar melhor alguns artistas! Música boa deve ser conhecida e exposta.

Começarei falando de uma nova geração de artistas que está mantendo vivos o soul e o R&B dos tempos áureos; uma turma que, em sua grande maioria, não é negra (!), mas tem a black music na veia. Quase todos bebem na mesma fonte: a antiga gravadora americana Motown, responsável por fazer a black music estourar nos anos 60 e 70 e por lançar excelentes cantores, instrumentistas e compositores como Diana Ross and The Supremes, Jackson Five, Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Temptations, The Four Tops, Martha Reeves and The Vandellas, entre tantos outros.

Em um tópico anterior aqui no blog, comentei sobre a maravilhosa banda Fitz and The Tantrums, que faz um som bem alternativo, uma gostosa mistura de indie rock e soul, contando até com alguns elementos oitentistas – há quem brinque que a banda é um resultado do cruzamento entre David Bowie e a Motown!  

O mais recente álbum do Fitz and The Tantrums, “Pickin’up the pieces”, traz canções já lançados no EP anterior (“Songs por the break-up”), com exceção de duas baladas lindas e suaves, “We don’t need love songs” (o órgão nos primeiros segundos da música é nostalgia pura, e o canto sofrido do vocalista Michael Fitzpatrick reforça a sensação de balada sessentista) e “Darkest street”. 





Eu destaco a alegre “Breaking the chains of love”, a genial “We don’t gotta work it out” (a música que me fez conhecer e amar a banda! Eu poderia jurar que ela foi mesma composta na década de 60), a linda e triste “Tighter” (a letra é bela: “Why didn’t I hold you tighter than tighter? ... You can’t hold on to what is already gone”), a efusiva “News 4 u” (o pandeirinho no início faz lembrar “Be my baby”, das Ronettes, e vários outros hits de girls groups dos anos 60).


- Amy Winehouse
Sim, ela é escandalosa, maluca, viciada em drogas e bebida, obcecada pelo ex-marido, mas eu quero mesmo é falar de sua música. Para começo de conversa, Amy é branca e magrinha, mas tem a voz de uma negra gorda, ou seja, uma MEGA e incrível voz!

Seu primeiro álbum, “Frank”, tem uma sonoridade mais puxada para o lado do jazz, com alguns elementos da soul music. Trata-se de um trabalho bem feito e de escuta fácil, muito gostoso e leve, em que encontramos uma Amy diferente, com voz mais aguda e estilo mais tranquilo. Destaco “Stronger than me”, “Help yourself” e “October song”.


Mas o segundo álbum, “Back to black”, é que alçou Amy Winehouse ao estrelato. No maior estilo black music sessentista, com alguns elementos de música ska (estilo musical derivado do reggae), neste álbum Amy canta com a voz mais rasgada, mais grave, e também com tons mais emocionais, mais densos. Várias canções têm atmosfera sombria, triste e pesada (“Love is a losing game”, “Some unholy war” e até a faixa-título). Percebe-se que a maior influência sofrida é a da música produzida pelas girl groups dos anos 60.


- Duffy
A galesa Aimee Duffy conquistou fama e sucesso em 2008, com seu segundo álbum, “Rockferry”. Graças às suas canções e sua voz (diferente – para não dizer engraçada! –, mas também muito potente), Duffy vendeu milhões de cópias e foi indicada a vários prêmios.

“Rockferry” é um álbum excelente, viciante e de alto nível. Não há sequer uma canção ruim, e a voz de Duffy cai como uma luva para todas elas. A faixa-título abre o álbum e já anuncia que trata-se de um trabalho pretensioso, disposto a oferecer a mesma qualidade das obras das grandes divas da black music. Há canções que não têm nem um quê de atualidade, como o super sucesso “Mercy” (que é dotada de honestas aspirações sessentistas, e alcança o objetivo!) e a sofrida “Syroup and Honey” (na qual a precariedade instrumental dá espaço para o destaque da voz de Duffy, bem como de sua interpretação, completamente sentida e carente, no maior estilo Etta James). Há canções mais pop, como a meiguinha “Serious” e a balançante “Delayed devotion”. Mas as melhores mesmo, segundo meus critérios, são as sentimentais e delicadas “Stepping stone”, “Warwick Avenue” (tão triste que comove) e “I’m scared”.



O terceiro álbum de Duffy se chama “Endlessly” e não mantem o nível do anterior. Menos introvertido e mais pop, talvez seja uma tentativa tímida de Duffy retornar à música pop, que era o que fazia em seu primeiro álbum – e, sabe-se lá, pode ser o que ela gosta de verdade; não se pode descartar a hipótese de “Rockferry” ter sido apenas uma jogada de mídia, haja visto que foi lançado na mesma época em que Amy Winehouse estourava nas paradas musicais. Ainda assim, destaco a emotiva “Don’t forsake me” e a bonita “Hard for the heart”.


- Janelle Monaé
Aclamada como uma das mais criativas e talentosas artistas da atualidade, Janelle é uma figura interessante. É uma showoman, bonita, estilosa, talentosa, carismática e louca, na melhor e mais elogiosa acepção da palavra! Suas performances são entretíveis e suas músicas são uma coisa de outro mundo! Ela mistura a black music dos tempos antigos com alguns elementos de hip hop, pop, rock e diversos outros estilos musicais.



Seu álbum “The Archandroid” foi lançado em 2010 e foi um grande sucesso de crítica. Particularmente, agrada-me muito toda essa maluquice musical, porque não cansa e sempre proporciona boas canções como a dramática “Cold war”, a dançante “Tightrope”, a bela “Say you’ll go” e a mirabolante “Come alive”!


- Mayer Hawthorne
Conheci-o por ocasião das duas cantoras acima: Amy Winehouse esteve recentemente (no início de 2011) no Brasil e Janelle e Mayer foram responsáveis pelos shows de abertura. Pesquisei sua obra e fiquei encantada com a sonoridade gostosa de suas músicas!

O álbum “A strange arrengement”, de 2009, traz boas canções como “Let me know” (que poderia perfeitamente ter sido gravada pelos Isley Brothers ou pelos Four Tops, grupos da Motown), ou a deliciosa “Shiny and new” (soul music em sua melhor forma, lembra canções antigas de Barry White e Stevie Wonder), a animada “The ills” (lembra demais as canções agitadas dos Temptations, como “It’s growing”) e a sensual (apesar da letra) “Just ain’t gonna work out”.



Mayer Hawthorne canta em tons agudos, e suas canções têm uma batida super agradável. Com certeza, é uma das melhores surpresas que tive ao procurar por boa música.


- Paloma Faith
Esta inglesa é considerada “a versão sóbria de Amy”, mas na verdade é mais que isso: Paloma tem um belo rosto, corpo, voz e um estilo muito próprio; ademais, seu trabalho é super inteligente e ela gosta de performances intensas.

Fiquei inteiramente fascinada pelo álbum “Do you want the truth or something beautiful?”, a começar pela proposta (que é fazer uma black music mais moderna, mas sem fugir da essência da Motown), sem mencionar a voz incrível de Paloma.



As canções são ótimas e todas muito únicas. Adoro o estilo descarado e irreverente de “Stone cold sober”, o charminho de “Stargazer”, a impetuosidade de “New York” e o estilão soul dramático de “Play on”, que dentre todas do álbum, leva o prêmio de “esta poderia muito bem ter sido gravada nos anos 60”.


- Sharon Jones and The Dap Kings
Ouvi dizer que a banda The Dap Kings é a que trabalhou com Amy Winehouse no álbum “Back to black”, e este motivo é mais que suficiente para me deixar interessada no projeto de Sharon Jones!

Sharon Jones é uma autêntica diva negra, dona de uma voz invejável. Ainda estou conhecendo seu trabalho, mas por enquanto já virei fã, graças ao álbum “I learned the hard way”, de 2010.

Se ao comentar sobre os artistas acima eu apontei uma ou duas canções que “poderiam muito bem ter sido gravadas nos anos 60”, eu devo dizer que “I learned the hard way” inteirinho poderia ter sido gravado nos anos 60!

Eu destaco as dramáticas “Mama don’t like my man” e “If you call”, nas quais Sharon dá um show de talento e interpretação. A primeira conta com vocais impressionantes e aquela guitarrinha de fundo presente em várias antigas canções de pop e doo wop, anunciadoras do rock’n’roll que estava prestes a nascer. Nesta segunda, em especial, ela lembra a grande Etta James.



Destaco ainda a faixa-título, que é a cara das girl groups dos anos 60; “Give it back”, “The reason”, “I’ll still be true”... Ah, todas!! Não há palavras para descrever. Eu poderia fazer uma playlist repleta de Temptations, Marvelettes, Four Tops, Otis Redding, e jogar Sharon Jones and The Dap Kings no meio e nem faria diferença – ninguém saberia determinar qual das canções foi gravada em 2010 e qual foi gravada em 1964.


Outros artistas cuja obra conheço pouco, mas já gosto:

- Adele
Conheci Adele na mesma época de Amy e Duffy, ou seja, era a época perfeita para uma cantora como ela despontar no cenário musical. Inicialmente não dei tanta importância, embora soubesse de sua bela voz e de seu repertório. Recentemente é que Adele voltou a chamar minha atenção, com seu novo single “Rolling in the deep”, que está em primeiro lugar em vários países.

Logo tratei de conhecer seu novo álbum, “21”, e estou muito impressionada! A moça canta demais, e as canções são belíssimas, românticas, sensíveis e bem produzidas. Neste ínterim, destaco as apaixonadas “One and only”, “Lovesong”, “Someone like you”. No mais, todas lembram as grandes divas dos anos 60.





- Lucky Soul
Trata-se de uma banda independente que conheci por acaso e, quando vi que também se inspirava na Motown, quis logo conhecer. Gostei muito do álbum “A coming of age”, de 2010. A mistura de pop, rock e black music me interessa. Destaco as nostálgicas (sonoramente falando, é claro) “Ain’t nothin’ like a shame” e “Could it be I don’t belong any”. Do álbum de 2007, "The great unwanted", destaco a faixa-título e a belíssima "Baby I'm broke".
Destaque também para a vocalista, dona de uma voz toda meiga e dengosa.




- Natalie Williams
Esta é outra cantora com uma linda voz que descobri por acaso, nem me lembro como, e me agradou de cara. Seu estilo é soul music e lembra outras jovens artistas como Corinne Bailey Rae e India Arie. Gostei muito do álbum “Secret garden”, de 2006 – algumas canções, inclusive, me lembram algumas do álbum “Mind, body and soul”, de Joss Stone. Aliás, já que falei nele...






- Joss Stone
O único álbum que conheço de Joss é o segundo, “Mind, body and soul”, e eu o adoro! Em geral, é bem pop, com notáveis influências da black music sessentista, soul music e até reggae (como em “Less is more”). A minha favorita é “Torn and tattered”, mas não posso deixar de citar “Jet lag”, “Killing time”, “Right to be wrong” (fez sucesso no Brasil), “Snakes and ladders”, “Don’t you wanna ride” e “Understand”.


- Jessie J e Pixie Lott
Nem sei se é correto citar estas duas jovens cantoras nesta ocasião, pois que a música que elas fazem é propriamente pop, mas há evidentes traços de black music em suas obras – a começar pelas vozes potentes e rasgadas das moças. Se alguém tem alguma dúvida disso, sugiro que escute “Casualty of love”, de Jessie J, e “Cry me out”, da Pixie.





Dois outros artistas que têm feito black music de qualidade são o rapper B.o.B. e a cantora Teedra Moses, que canta um rhythm and blues bastante gostoso – entretanto, a intenção era apenas mencionar os artistas que trazem de volta aquela agradável sensação que temos ao ouvir clássicos como “Will you love me tomorrow”, “What’s going on”, “Chain of fools”, “My girl”, “Stop in the name of love”, e tantos outros que fizeram história!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A expressão "to hold on"



Há expressões que simplesmente não possuem similar em outra língua. Assim como a “saudade”, do vocabulário da língua portuguesa, não tem tradução nos demais idiomas, creio que o mesmo ocorre com eles.

Vejamos a expressão em inglês “to hold on” – não no sentido de aguentar, mas no sentido expressado em frases como “Hold on to it”, “Hold on to this feeling, ou no título desta bela canção do vídeo acima. Nunca consegui encontrar uma tradução apropriada. Seria “agarrar-se”, “firmar-se”? Acho que não.  

“To hold on” é aquilo que você faz quando não lhe resta mais fé, quando suas crenças estão abaladas, e então você encontra um único fiapo de esperança e se agarra a ele, fixa-se nele o quanto pode.

“To hold on” é encontrar uma luz no fim do túnel, e depositar todas as suas esperanças nela.

“To hold on” é estar no fim do poço e alguém te lançar uma corda, e então você segura a corda com toda a sua força, mesmo estando fraco, porque você sabe que ela é tudo que você tem.

E então... Qual seria a tradução de “to hold on”?

Por que não gosto de Vinicius de Moraes

Provavelmente minha filha estudará que Vinicius de Moraes é um dos maiores poetas românticos de sua geração. Pois bem, quando ela estiver comentando comigo sobre como foi a aula de literatura, precisarei dizer algumas coisas.

Não é que eu deteste Vinicius de Moraes, tampouco desprezo sua obra. Eu o respeito por tudo que ele representa. Até mesmo admiro sua técnica poética e acho seus sonetos bonitos – simplesmente não consigo acreditar no que há por trás deles. Nunca me convenceram. Penso que ele nunca sentiu de fato aquele amor sublime descrito em suas poesias.

Boêmios não têm muito crédito comigo. Difícil me fazer acreditar que não fazem poesia apenas para conquistar as “meninas que vêm e que passam num doce balanço à caminho do mar”. Duvido que as amem! Será que alguma já caiu nessa?

Não quero que minha filha compre briga com a professora de literatura. Só não quero que ela se iluda com “Que seja infinito enquanto dure”... Porque esse infinito certamente só dura até a próxima Garota de Ipanema surgir. Ou de Copacabana, do Leme, da Barra da Tijuca, ou de onde for. 

Versos feios, e uma pendência

Hoje o dia foi excelente. Posso dizer que foi bom em vários aspectos. Posso enumerar alguns momentos que, mesmo sendo poucos, constituem o que podemos chamar de “um bom dia”. Até agora, tudo valeu a pena.

Ao fim da tarde, a chuva vem coroar o meu glorioso dia. Não há maneira melhor de receber a noite! Despedimo-nos deselegantemente do sol, praticamente enxotando-o, permitindo que o céu se plenificasse de nuvens acinzentadas, não deixando espaço para nenhum raio de sol, nenhum milímetro de calor, nenhum pedaço de dia. A chuva forte abençoa meu dia recém findo, e anuncia a chegada da noite.

Ter um dia feliz revigora os ânimos para a noite: quantos planos! Que alegria! Quanto tempo! Que farei eu com tão propícia situação?

Talvez seja o momento de mexer naquelas velhas feridas, desenterrar o que há por baixo da mudinha mais bela. Ela sempre esteve ali, linda, bem cuidada, intocável, mas eu, só eu, sei que há algo por baixo. Talvez agora seja uma boa hora para dar uma olhada. Não vai ser tão ruim, se estou tão feliz. Certo?

Certo?

E a chuva, já passou? Acabou quando eu mais precisava. Agora sinto que aquela água pesada e infinita, em vez de um bálsamo reconfortante, parece ter funcionado como um líquido embriagante, tirando de dentro tudo que escondo, tal qual a mais forte das bebidas. A chuva passou, e ficou a ressaca. Preciso lidar com ela.

É hora de pensar de novo, tentar de novo, explicar de novo. Here we go again. A velha história. E eu, que já estava quase convencida de que tudo era perfeito, assisto de novo o odioso filme, aquele que me mostra a realidade que não quero ver. Que não gosto de ver. Que prefiro ignorar. E assim sigo, fingindo que desconheço, fingindo tão perfeitamente que tudo está bem – que chego até a acreditar!

Mas não está? Está tudo ótimo. Sou tão feliz! É sério! Eu não me lembrava de que tinha uma razão para lamentar, até me lembrar dela.

Eu posso fazer isso. Posso levar a minha vida sempre assim, sempre feliz, porque gosto de ser feliz e não admito a ideia de permitir que o único lado ruim da minha vida atrapalhe todos os demais.

Eu sempre precisei ser feliz. Não consigo viver de outra forma. Tenho mil motivos para ser feliz. Quando eles não me convencem, arranjo outros, mesmo que pequenos, mesmo que momentâneos. O que não suporto é desperdiçar um dia estando triste. Eu sou feliz, ainda que esteja mal, ainda que o mundo esteja desabando. Minha vida tem que ser assim. Eu me viro, dou um jeito, mas sorrio. Porque preciso sorrir.

Porém, de qualquer forma, em algum momento esse engodo vem à tona. Ele existe, está aqui guardado. Não vai ficar calado para sempre. E isto é algo que tenho que resolver. Por mais que eu me saia muito bem na tarefa de conviver com isto sem deixar que tire meu brilho, sei que preciso resolver esta situação. Não brilharei sempre. Haverá um dia em que me faltarão forças, e justo neste dia, a última coisa que quero é ter este problema me atormentando. A consciência machuca mais que tudo. Por isso preciso dar um jeito nisto. Preciso me fortalecer, para os momentos em que estiver fraca. Preciso deixar tudo pronto, tudo arrumadinho, ter todos os meus conflitos resolvidos, para não ter tanto prejuízo quando vierem os maus momentos. Certamente os enfrentarei melhor se meu escudo estiver pronto.  

Lembrei-me do poeminha que escrevi quando era menina... “Preciso me manter viva dentro de mim mesma só pra saber que, aconteça o que acontecer, terei sempre eu pra me defender”. Incrível quanta sabedoria pode brotar da simples intenção de fazer rimas!  

Gostaria de ter outros dias como este. Mesmo quando entro em contato com minhas próprias dores, posso dizer que trata-se de um momento incrível. São nestes momentos em que encontro mais respostas, e sucessivamente vou questionando mais e mais. Aos poucos, vou encaixando as peças. Este quebra-cabeça vai ficar completo dentro de algum tempo. Eu sei que vai... 

Que o que temos nunca se perca

Eu não quero apenas você comigo, eu quero você feliz comigo. Por este motivo é que quando brigamos, mesmo a grande certeza de que uma briga é muito pouco para ameaçar destruir o que temos, não me tranquiliza. Meu medo não é apenas perder você. Meu medo é que nós percamos o que há entre nós, ainda que permaneçamos juntos.

Querido diário

Não fui forte o suficiente para fazer o que deveria ter feito. Não fiz o que planejei fazer, não fui onde deveria ter ido. Tampouco tive aquela disciplina da qual tanto me vanglorio; fui fraca e descumpri os compromissos que marquei para mim mesma. Não fiz jus àquilo que pensam de mim. Mais uma vez, me auto sabotei.
Hoje eu tive uma dose muito grande de realidade e agora estou cansada. Preciso de fantasia. Este mundo é muito cansativo! Preciso passar algumas horas no meu próprio mundo para recarregar as energias, recuperar o vigor.

Sei que não tenho tempo a perder. Tenho tanta coisa para fazer que mal sei por onde começar. E nem adianta dizer que preciso de mais tempo... Ainda que cada dia tivesse 30 horas de duração, se eu não tivesse disciplina e comprometimento, não faria a menor diferença.

Eu vinha me saindo extremamente bem nessa busca pelo equilíbrio. Basta uma recaída e deixo novamente as coisas saírem do controle.   

Para quê estou aqui perdendo tempo, escrevendo sobre isto? Só pra me envergonhar. Como estou sendo preguiçosa! A vida não vai parar pra me esperar. Sempre soube disso.

Fim do texto. Tenho muita coisa pra fazer.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sexo com amor?

"Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Fundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência." 

(Trecho da lição n.° 94 do livro "Pão Nosso", de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier)



Okay, chamem-me de pudica, puritana, conservadora, retrógrada, carola, santinha, quadrada e qualquer outra coisa que descreva uma pessoa que não abre mão de alguns conceitos moralistas e antigos, mas esta sou eu, isto é o que penso, e fingir um modernismo que não faz parte da minha essência me incomoda muito mais que qualquer rótulo. Dito isto, digo o principal: sexo e amor devem estar associados, sim. Sempre. É o que penso.

Sexo com estranhos deve ser estranho. Dois desconhecidos que não possuem nenhum sentimento não-carnal um pelo outro, apenas em busca de satisfazer a própria lascívia... Sem amor, mas por prazer... Um prazer superficial, eu diria. Satisfação do corpo, apenas. Porque não dá pra satisfazer a alma com alguém cuja alma você desconhece. Não dá pra satisfazer o espírito com alguém com quem você não tenha uma conexão íntima. Intimidade, é esta a palavra exata: a intimidade acentua qualquer prazer. Se só o fato de estar com a pessoa que você ama já proporciona um grande prazer, o que dizer de procurar prazer com esta mesma pessoa? É tudo em dobro, em triplo, múltiplo, intenso.

Sexo casual é pra quem tem coragem. É pra quem não se importa com o que os outros vão pensar. É só o que posso concluir ao pensar em pessoas entregando seus corpos a desconhecidos... Até porque não se trata de corpos, somente. Sexo não é apenas uma junção de corpos. O corpo é apenas um instrumento. O que se consegue a partir dele, isso sim é sexo. E sexo é uma coisa tão íntima... Você se expõe tanto. Expõe o corpo, a personalidade, revela lados seus que nem você conhecia... É preciso muita coragem para revelar-se tão completamente a alguém que você não sabe se vai reagir bem a isso. Sexo envolve segredos, envolve confiança, porque certamente a pessoa ali na cama se comporta de um jeito diferente da “vida real”. Sim, porque o sexo revela, descobre, desnuda, expõe. A pessoa que se dispõe a transar com um estranho precisa estar pronta para mostrar seus lados mais desconhecidos, obscuros, belos e até ridículos a um desconhecido. Seria como fazer confissões a um estranho, sem a menor chance de prever se ele vai entender, se vai gostar, se vai guardar segredo, se vai te achar bizarro. Inteligente, não? 

Creio que fazer sexo sem amor é desperdiçar a si próprio. É menosprezar o seu próprio ser,  porque quem ama a si mesmo não se entrega a quem não vale a pena. Como eu disse antes, no sexo a pessoa descobre lados de si mesma que desconhecia, e acaba fazendo estas descobertas ao mesmo tempo em que o parceiro... Como conceder tudo isto a alguém que você mal conhece? A alguém que não partilha algo precioso com você? Que estupidez. 

É tão raro ter a chance de se descobrir com prazer... Geralmente é com sofrimento, dor, perda, angústia. O sexo, porém, proporciona esse autoconhecimento de um jeito diferente. A pessoa que vai estar conosco neste momento deve, também, ser especial, porque só assim o momento pode ser especial, profundo (sem ambiguidade, hein!?), íntimo e realmente satisfatório.

Aos que discordam de mim, respeito-os. Cada um vive como quer, já expressei isto várias vezes. Da mesma forma, eu penso o que quero. E eu posso ser mesmo uma chata, carola, conservadora, puritana e todo o mais, mas mesmo os que pensam isso de mim já devem ter experimentado sexo com amor, e certificado de que é melhor... 


OBS: Caso não tenham, Mario Benedetti mostra em palavras o que estou falando:


“Esta tarde fizemos amor. Já fizemos tantas vezes e, no entanto, não registrei isso aqui. Mas hoje foi maravilhoso. Nunca na minha vida, nem com Isabel, nem com ninguém, me senti tão perto da glória. Às vezes penso que Avellaneda é como uma fôrma que se instalou sobre meu peito e que o está aumentando, pondo-o em condições adequadas para sentir cada dia mais. O certo é que ignorava possuir em mim essas reservas de ternura. E não me importa que essa seja uma palavra sem prestígio. Tenho ternura e me sinto orgulhoso disso. Até o desejo se torna puro, até o ato mais definitivamente consagrado ao sexo se torna quase imaculado. Mas essa pureza não é carolice, não é afetação, não é pretender que só tenho a alma em vista. Essa pureza é querer cada centímetro de sua pele, é aspirar seu cheiro, é percorrer seu ventre, poro a poro. É levar o desejo ao cume.”
(“A trégua”, Mario Benedetti) 

Os personagens do BBB – ou melhor, da vida

Eu já imaginava que em algum momento escreveria alguma coisa sobre o Big Brother Brasil aqui no blog. Aliás, estava demorando...
Não sinto que deva justificar por que gosto de assistir a este reality show, não tenho receio de ser julgada frívola ou ridícula por gostar; mas este texto vai acabar sendo, de qualquer forma, uma grande reflexão sobre o BBB, e que indiretamente justifica porque não acho que seja um programa fútil e vazio.

Desde que a produção do programa resolveu incluir somente participantes de classe média, jovens e bonitos, tenho sentido que têm tentado nos empurrar alguns conceitos.

Em primeiro lugar, preciso expressar uma certa angústia que tenho: minhas preferidas sempre saem. Foi assim ano passado, com a Lia, e agora, com a Natália. Mulheres fortes, decididas, corajosas, tão ou mais que muitos homens. Mulheres que não têm medo de serem julgadas por serem assim, muito embora também sejam frágeis e sensíveis por dentro. É, infelizmente, a sociedade ainda não está pronta para idolatrar mulheres assim. Tanto Lia quanto Natália foram eliminadas em paredões contra mulheres de personalidade oposta: lindinhas e delicadinhas.

E assim, pouco a pouco, meus preferidos (ou seja lá o que for mais próximo disso) vão saindo, e vão permanecendo no jogo aqueles participantes que pouco me agradam. Porque a grande parte dos participantes que vencem, ou ao menos ficam até o fim, são essas pessoas que têm pouca coisa que me cativa, que fazem besteiras durante o programa inteiro... Pessoas que não me impressionam, que não conseguem me convencer de que merecem o prêmio milionário... Mas acabam conseguindo, ou quase.

Então é isso? Os caras (sim, porque as mulheres nunca vencem) passam o programa inteiro sem fazer nada de muito especial, para no final termos que nos contentar em vê-los vencendo? Os caras não têm carisma, nem grandes atributos, mas acabamos tendo que convencer a nós mesmos de que têm grandes personalidades. Vemo-nos forçados a torcer por eles, mesmo não encontrado quase nada que gostamos neles. Acabamos elegendo o “menos pior” para ser nosso favorito, só para torcer por alguém. Temos que “engolir” estes conceitos, de que fulano é “o cara”, de que ciclano “arrasou” durante o programa inteiro. Em suma, somos obrigados a aceitar que nem sempre a pessoa que nos parece maior merecedora é aquela que colhe os louros no final. Mas enfim... Fora do BBB, também não é assim? 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Memórias para o pai da minha filha - Parte II: Os meus quereres

Eu queria que você lutasse por mim. Eu queria tudo pronto, e apenas dizer sim. Nada mais que caprichos de quem precisava se sentir querida, aceita... Sempre quis. Secretamente, sempre te quis.

Eu não te desprezava; só queria que você me quisesse. Que me quisesse muito... Queria tanto que precisei deixar de apenas querer.

E esta foi a primeira coisa que você me ensinou. Foi preciso ignorar o orgulho para ganhar você. E o que significa ganhar você? Lutei por algo que não podia prever se valeria a pena. Mas eu quis que valesse, então valeu. Você também quis. Fizemos valer a pena.

Fui atrás. Pela primeira vez? Serviu de exemplo. Foi mais do que eu esperava. Muito mais do que eu podia imaginar.

Como você ousa pensar que eu nunca te quis? Eu simplesmente sempre te quis...

Uma canção para fazer o dia melhor

Costumamos achar que trabalho de artista é inútil, que todo artista é "à toa", que ser cantor é coisa pra quem quer vida boa... Contudo, para uma pessoa como eu, que depende de arte, música e afins para viver, é difícil não encarar os cantores como prestadores de um serviço de caráter puramente emocional, para fazer com que seu público sinta-se melhor. 

Uma canção pode salvar uma vida. 
Pode fazer valer um dia. 
Pode dizer, às vezes sem palavras, tudo que você está sentindo; e então você não se sente tão só, porque sabe que alguém já sentiu isso também. 
Uma canção pode dizer aquilo que você precisa ouvir, mas nunca havia se dado conta. 
Pode simplesmente tornar um momento ainda mais belo do que ele é por si só. 
Uma canção pode passar a você, após horas de trabalho pesado e incansáveis reflexões, uma gostosa sensação de que a vida, apesar de todos os pesares, é boa, e vale a pena. 

E para as pessoas que compõem, produzem, gravam e/ou cantam uma canção capaz de provocar tantas sensações boas, eu não posso dizer outra coisa a não ser muito obrigada.


P.S.: A canção que inspirou este textose chama "Little angels", de Pancho's Lament. Sim, ela fez meu dia melhor.

A mera vontade é burra

Já vi muitas pessoas, famosas inclusive, dizendo que preferem se arrepender das coisas que fizeram, do que das coisas que deixaram de fazer. Esse pensamento me acompanhou por muitos anos, em especial porque já deixei passar muitas oportunidades na vida - pequenas, até fúteis, mas de qualquer forma eram oportunidades. Hoje, todavia, encontrando-me um pouco mais madura que outrora, tenho um posicionamento totalmente diferente.

Desprezo o impulso. Sei que na vida é preciso arriscar, mas toda decisão precisa ser pensada. Quem age sem pensar desperdiça aquilo que o ser humano tem de mais precioso, aquilo que o diferencia dos demais animais: a razão, o raciocínio. Pior ainda quando se age motivado por um impulso, um instinto (que, por sinal, é o que move os animais irracionais), ou como se prefere dizer, "pela vontade". Ah, a vontade... Tão intensa, mas tão traiçoeira!

Sinceramente, acho tolice agir sem pensar no amanhã, tomar decisões apenas por "querer", por "estar com vontade". A vontade é efêmera, e como tantas outras efemeridades, é burra. Ela chega, toma conta de você, sem motivo, sem porquê, e fica te atormentando até que você ceda a ela... É um teste. Fraco é quem não resiste. 

O que você deixa de fazer, pode fazer outro dia. Outra oportunidade virá, ainda que não seja nesta vida. Mas o que você faz fica para sempre. Não se pode apagar. 

E quanto aos que reprimem algo que tinham vontade de fazer, e passam a vida toda pensando em como teria sido? Bem, se esse sentimento realmente acompanhar a pessoa por tanto tempo assim, então não era vontade. Era algo maior, real. Provavelmente um verdadeiro sentimento, e não apenas um impulso.
Se era mesmo vontade, não vai ser problema. Porque vontade passa. Alguns anos depois, você vai se flagrar rindo de si mesmo, "onde eu estava com a cabeça para querer uma coisa dessas?". Mas se você fez, sem pensar nas consequências, sem se importar com o sentimento alheio... Essa é uma cruz que precisará carregar. 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Who makes life so hard?

"A vida é dura", "A vida é difícil", "As coisas não são fáceis"...  Clichês que ficamos repetindo para nós mesmos a cada situação complicada pela qual passamos. Não faz com que nos sintamos melhor, mas pelo menos dá uma explicação às coisas, e alivia a sensação de achar que "só acontece conosco". 

Será que a vida é dura por si só? Ou somos nós que a fazemos assim?

Escuto diariamente que "tenho sorte" por ter encontrado pessoas tão legais para me ajudarem no trabalho, na vida, no dia a dia, enfim. De fato, pessoas simpáticas, gentis e humildes não surgem todo dia para nos oferecer apoio, esclarecimento, ou simplesmente para estarem lá, com um sorriso no rosto, meigas e receptivas, a cada vez que precisamos delas. Julgo-me merecedora de tudo isso, mas isso não quer dizer que a vida não é difícil pra mim. Ou para qualquer outra pessoa. 

E aqui vai outro clichê que explica toda a problemática: só depende de nós. Se todos tivessem a gentileza de tratar as pessoas bem, ninguém diria que a vida é dura. Todos teríamos um "anjo" em nossa vida, e ninguém acharia nada tão complicado quanto parece ser. A ajuda ou a companhia de uma pessoa especial ameniza qualquer situação difícil. 

Por que nem todos querem ser especiais? Algumas pessoas fazem questão de serem arrogantes, fazem questão de desprezar, humilhar, dificultar, como que para darem razão àqueles que dizem que "a vida não é fácil". Tiveram a infelicidade de lidar com indivíduos do mesmo naipe, e agora querem se vingar, direcionando sua raiva a outros que nada têm a ver com isso, alimentando esse ciclo vicioso - que estupidez! 

O mundo seria tão melhor se decidíssemos proporcionar coisas boas a quem está à nossa volta... 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Iludidos, tais quais os gregos?

Obra "The Age of Pericles", de Philipp von Foltz, de 1853.
No quadro, Péricles fala aos gregos sobre a democracia.



Dias atrás, em uma aula na faculdade, uma fala do professor levou-me a pensar em algo. Meu professor falava sobre os primórdios da democracia, na Grécia antiga. Falava sobre a democracia, para os filósofos daquela época, era concebida como uma coisa suprema, linda e justa, quando na verdade, era uma ilusão, posto que não alcançava a todos os indivíduos, não sendo de todo uma democracia, portanto.

Isto me fez refletir. Não culpo os filósofos gregos, não os ridicularizo. Se para nós, hoje, é cristalino que a noção de democracia deles era falsa, talvez não fosse àquela época. Há uma real possibilidade de eles estarem com a melhor das intenções ao conceberem os princípios democráticos.

Imagino como devem ter se entusiasmado. Imagino a empolgação das discussões que eles travavam, a intensidade com que os olhos brilhavam, a sensação heroica de ter criado algo que pode mudar o mundo. Coitados. É claro que foram revolucionários; todavia, o conceito de democracia ainda precisou passar por várias transformações até chegar no que atualmente é – e certamente muitas outras mudanças hão de vir, haja visto que a efetiva democracia, dizem os estudiosos, permanece no papel.

Quantas vezes não passei por isto também? Fico tentando me lembrar de coisas que eu pensava, dizia e sentia quando era mais jovem. Eu realmente acreditava, eu punha sentimento nas minhas convicções... Mas estava errada. Era imatura demais. Minhas concepções ainda tinham muito o que amadurecer. Naquela época, porém, não sabia disso. Podia jurar que eram grandes ideias.

Lembro-me também de tantas conversas e reuniões calorosas com pessoas com as quais eu me identificava, discorrendo sobre tantos assuntos sobre os quais partilhávamos de opiniões parecidas... Era tão bom saber que eu tinha encontrado pessoas que pensavam como eu, que tinham os mesmos princípios que eu tinha. Em um mundo tão grande e repleto de gente diferente, encontrar um companheiro é uma grande alegria. Mas e se estivéssemos errados? E se todas aquelas coisas bonitas e interessantes que dizíamos também não passassem de ilusões? Éramos meros gregos extasiados com a criação de uma incompleta democracia, tão perfeita aos nossos olhos, mas tão crua e falha para ser estendida ao resto do mundo.

Mas nada como o tempo e a maturidade! A verdade sempre vem à tona, e sempre surge um novo alguém para aperfeiçoar os rascunhos que outrem deixou. Mesmo que leve um, dois ou mil anos. E assim caminha a humanidade...     

Fernanda Lima

Fernanda Lima apresenta o programa
"Amor e sexo", da Rede Globo

Não costumo direcionar minhas energias para o campo da inveja; meus pensamentos e sentimentos tendem a se concentrar nos assuntos sobre os quais escrevo aqui no blog. Todavia, se de fato existe aquilo que nós mulheres chamamos de “inveja boa”, a minha já tem destinatária: a modelo, atriz e apresentadora Fernanda Lima.

Eu já nutria uma certa simpatia por ela desde a época em que apresentava o “Fica Comigo”, na MTV. Afinal, é preciso ter um certo tato para apresentar um programa formador de casais sem cair na cafonice e sem parecer que tudo é muito forçado. Fernanda Lima conduzia tudo de uma forma tão legal, que logo gostei dela.

Também adorei as duas novelas em que ela participou na Rede Globo, “Bang Bang” e “Pé na Jaca”. Em ambas, Fernanda foi a protagonista, e embora se possa admitir que não é a melhor atriz do mundo, eu creio que ela fez um bom trabalho. As personagens eram fortes, atípicas e cômicas, e Fernanda soube dar esse tempero.

Porém, mais recentemente é que passei a admirá-la ainda mais, e o que mais admiro é a forma como ela leva a vida, como faz as coisas. Tudo na vida dela parece tão tranquilo, tão natural! Ela leva tudo numa boa. Nada lhe causa pânico, nada vira um grande problema, tudo transcorre normalmente. Tenho a impressão de que ela consegue resolver tudo.

Fernanda desfilando para
Juliana Jabour
É claro que posso estar idealizando. Ninguém tem uma vida perfeita, nem mesmo os famosos. Provavelmente a Fernanda tem problemas, inseguranças, celulite, também sofre, chora, se descabela, se preocupa... Mas vejam só: ela fala sobre sexo em rede nacional, na frente de uma grande plateia e convidados famosos, com a maior naturalidade; ela teve gêmeos em parto normal (!) e ainda fez campanhas incentivando esta modalidade de parto, alegando que tudo correu muito tranquilamente; ela é uma mãe de primeira viagem mas parece conseguir conciliar perfeitamente a maternidade, o casamento e o trabalho, saindo-se bem em todas as funções: cuida bem dos filhos (não é raro vê-la em fotos nas revistas de fofocas realizando tarefas educativas ou ecológicas com seus gêmeos, João e Francisco) e os educa, mantém a relação com o marido Rodrigo Hilbert sempre prazerosa (já a vi falando sobre isso em várias entrevistas), e ainda desfila e fotografa para várias marcas e é contratada da maior emissora do país. Como ela consegue?

Gosto de ler entrevistas com celebridades, gosto de saber como é o estilo de vida delas e o que elas pensam, mas nenhuma havia me passado esta impressão que ela me passa. Para quem, como eu, é capaz de complicar a mais simples das tarefas, ver uma moça linda e descolada como a Fernanda Lima levar a vida tão “na boa” é, no mínimo, motivo para sentir inveja. Mas é uma “inveja boa”. Eu não a desprezo, não a acho uma farsa, não fico procurando defeitos nela para fazer com que eu me sinta melhor... Eu só queria saber qual o segredo. Só isso. 

Bela e fera

Acha que me engana com sua pose de princesa. Admiro esse seu jeito polido de ser, mas te conheço o suficiente para compreender que sua essência não é esta. Essa que eu vejo não é exatamente você: é a pessoa que você quer ser, é o reflexo das coisas que você considera corretas, mas não é o que há dentro de você.

Não fique constrangida, mas eu já sei de tudo. Eu te decifrei. Certamente você achou que nunca conseguiriam. E com razão! Você é boa nisso, convence de verdade. Parabéns. Mesmo. Não estou sendo irônica... Mas já “te saquei”. Você abriga um espírito selvagem dentro de si.  

Ódio, baixaria, egocentrismo, impaciência, luxúria, arrogância... É difícil acreditar, olhando sua roupinha passada e sua maquiagem perfeita, que estas coisas existem dentro de você. Você tem vergonha do que realmente sente? Quando foi que decidiu reprimir tudo isso e assumir esta nova personalidade? Você está satisfeita com a imagem que passa às pessoas?

Você se faz de mocinha, e isso é curioso. Por acaso não vê que toda essa sujeira que você tenta varrer para debaixo do tapete é justamente o que faz de você humana? Humanos são baixos mesmos. São imperfeitos. Por que você tem vergonha de ser assim também? Estamos todos no mesmo planeta.

Se bem que, embora não passe de um ser humano, talvez você esteja um passo a frente dos demais. Ódio, baixaria, egocentrismo, impaciência, luxúria, arrogância... Sim, são características dos humanos, mas que bem fazem? Para que servem, além de causar ainda mais ódio, mais baixaria, destruição, desamor?

Você “sacou” tudo. Entendeu a lição que os outros não enxergam, ou teve alguém que te ensinasse. O superficial lema da nova geração brilha tão forte que os cega. "Ser você mesmo", "ser espontâneo", "fazer o que der na telha", "colocar pra fora tudo que sente"; estas coisas até podem fazer com que alguém se sinta bem, mas quão inteligente é uma pessoa que prefere sentir-se bem a ver um mundo melhor? Porque em várias situações, uma atitude espontânea pode gerar mais males que uma falsa educação.

Okay, você é recalcada, chatinha, certinha, perfeitinha. Mas, quem sabe?, o mundo poderia ser um pouco melhor se mais pessoas fossem assim.  

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Uma visão racional do amor – Parte II

“Por que a simplicidade daquelas palavras tinham o poder de embalar o seu mundo? Nunca mais ela perderia de vista o que realmente importava, nem por um dia, uma hora ou mesmo um minuto. Ela sabia de uma coisa agora, uma verdade profunda que se escondera dela durante toda a vida: o amor não era uma grande fogueira que penetrava na alma e ardia até impedir qualquer reconhecimento. Eram momentos cotidianos simples que se acumulavam sobre os outros feito tijolos, até formarem uma fundação tão sólida que nada podia derrubar. Nem o vento, nem a chuva. Nada.”
Obra "Casal de namorados", da pintora Vera Russi Mattar
(Trecho do livro “Para sempre”, de Kristin Hannah)



Imagine a seguinte situação: em um belo dia, ao checar sua conta bancária, você descobre que depositaram uma significativa quantia de dinheiro. Não sabe quem fez isto, mas de qualquer forma, é um bom dinheiro. Alguns dias depois, o feito se repete. Outros dias depois, você recebe mais dinheiro. E então você pensa: já tenho dinheiro suficiente para começar a criar meu próprio negócio. E assim você faz: dá o primeiro passo para a formação de seu próprio empreendimento. Quão inteligente você é?

Eu compararia o dinheiro, desta situação hipotética, com a paixão ou a atração, na vida real. É sensato apostar todas as suas fichas em algo que você não sabe direito o que é?, de onde vem?, por que existe? Eu, sinceramente, acredito que só faz sentido construir algo se for sob uma base sólida. E se esse dinheiro parar de aparecer na sua conta? Como você conseguirá capital para manter seu negócio? E se o coração parar de acelerar quando você vê o seu amor? E se você não sentir mais as pernas fracas quando o beija? Quais as chances de esse romance se tornar um relacionamento de sucesso?

Deixe-me ser muito honesta a respeito disso tudo: eu não conseguiria viver assim. É difícil ser feliz quando sua felicidade depende de algo que você não compreende, não sabe explicar. Se você não encontra lógica em uma coisa, é burrice desejá-la para o resto de sua vida. É burrice decidir dormir e acordar todos os dias com uma pessoa que você não sabe porque ama. Porque um dia você vai acordar e se pergunta: por que o amo? E, pior ainda: não saberá responder. Pior ainda: algum dia você vai se sentir estúpido porque colocou sua vida nas mãos de uma pessoa, simplesmente porque há anos atrás você não conseguia ficar ao lado dela sem tremer ou corar.

O verdadeiro amor tem razão de ser. O verdadeiro amor existe porque nasceu, cresceu, se desenvolveu e se consolidou. Ele é o produto de uma gama de atitudes, gestos, palavras e momentos que contribuem para a melhora de cada um dos lados de uma relação, cada um dos dois, e consequentemente, para a felicidade dos dois.

Sei que pareço recalcada ao escrever tudo isto; provavelmente deixei a impressão de que nunca passei por estas situações todas envolvendo a paixão e a magia, toda essa história de coração batendo rápido, borboletas no estômago e noites sem sono pensando no ser amado... Já passei por isso, sim. Foi legal. Mas sabem o que é legal de verdade? Hoje, vários anos após eu ter sentido todas essas coisas, poder olhar no rosto do meu namorado e saber exatamente porque o amo, porque estou com ele, porque somos felizes, e porque tenho a certeza de que a cada ano que passar seremos ainda mais felizes juntos. Isso sim é gratificante. 

O medo do minuto seguinte

As chances de atropelar uma criança na rua são maiores que as chances de salvá-la de um atropelamento. Não é verdade? É incrível a facilidade com que as coisas ruins podem acontecer na nossa vida. Sinceramente, fico assustada quando penso em como todos estamos tão vulneráveis aos males que podem nos acometer.

A cada passo que damos, corremos riscos. Damos nossa cara a tapa diariamente, estamos constantemente sujeitos à intolerância e ódio alheios, e também às circunstâncias desse mundo, que podem em questão de segundos nos pintar de mocinhos ou vilões, dependendo do ângulo em que se olha, dependendo de um sem-número de fatores que até nós mesmos desconhecemos.

Viver é para quem tem coragem. É preciso ser um pouco maluco para aceitar jogar um jogo em que tudo pode acontecer, a qualquer momento, sem que se possa prever.

Se serve de consolo, vou dizer o que me tranquiliza: saber que a injustiça inexiste. Quem somos nós para apontar o que é injusto? Não fazemos ideia dos motivos que geram as situações. Tudo tem um porquê.

A cada passo que dou, corro riscos, mas sei que devo me sentir segura. Acredito em algo muito maior que esse jogo, e confio nesta força que está acima de mim. Acima de qualquer mal que possa acometer a mim ou às pessoas que eu amo. Confio racionalmente, justificadamente, totalmente.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Saia do esconderijo

Vi você. Não sei por que se esconde, mas de qualquer forma, já te achei. Do que você tem vergonha? Por que faz questão de ser tão misterioso? Sabe que te entenderão.

É verdade que estamos acostumados a te enxergar de um outro jeito, mas ei! É a sua vida, são as suas escolhas! Somos nós quem temos que nos adaptar a você, se quisermos continuar sendo seus amigos... E é claro que queremos.

Você tem medo de ser reduzido a um rótulo? Tenha mais coragem! Você é muito mais que uma só palavra. Uma só palavra não te define. Você sabe disso, todos nós sabemos... Então por que ter medo?

Pare de viver nesse jogo de mistério, de esconde-esconde. Você não deve satisfações a ninguém,  tem o direito de viver a vida que quiser. Não se justifique para nós. Se já se decidiu é porque tudo faz sentido para você, e é isso que importa. Não cabe a nós escolher e nem mesmo entender. A vida é sua. Assuma que prefere viver assim, e não tema as consequências.