terça-feira, 29 de março de 2011

Maria, Maria... Estamos vencendo o preconceito?

"É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar,
Como outra qualquer no planeta..."

("Maria, Maria", de Milton Nascimento)


Sim, o ex vice-presidente José de Alencar acaba de falecer, a situação no Japão continua péssima, finalmente foi dado por Luiz Fux o voto de desempate referente à "Lei da Ficha Limpa", o preço do barril de petróleo está disparando no mercado internacional, e eu estou aqui para falar de quê? Da grande final do BBB 11, claro! Sem o menor receio de parecer fútil, até porque não estou aqui para falar apenas da minha favorita para ganhar o prêmio, mas também para analisar o comportamento do povo brasileiro frente aos personagens desta edição do reality show. Filosofia de boteco? Desculpa para assistir a vida dos outros? Que seja! Pensem e digam o que quiserem, mas o fato é que quem tem capacidade de absorver conhecimento, cultura e valores, pode fazer isso em qualquer ocasião, até mesmo assistindo BBB. 

Primeiramente quero falar sobre como estou feliz com os 3 finalistas do BBB 11, três pessoas completamente diferentes mas de traços muito marcantes.
O fato de que Maria, Daniel e Wesley estão juntos na final, e ainda, têm todos grandes chances de vencerem, deixa-me feliz, pois é um verdadeiro atestado de quanto o pensamento do público tem se modificado. 



Ao lançar o videoclipe de seu mais recente single "Born this way", Lady GaGa afirmou que a canção trata de "o nascimento de uma nova raça dentro da raça humana. O nascimento de uma nova raça sem nenhum preconceito" (fonte: http://www.mtv.com/news/articles/1658332/lady-gaga-born-this-way.jhtml). Possíveis simbolismos, teorias Illuminati e interpretações à parte, vale a pena considerar o que a cantora está tentando dizer: será que estamos prestes a vivenciar uma era em que todos estariam livres para serem o que quiserem, e acima de tudo, estariam livres dos rótulos, preconceitos e julgamentos? A meu ver, se este momento ainda não se aproxima, há grandes evidências de que o caminho já está sendo preparado. 

Maria já divide opiniões logo no que concerne à sua vida pré-BBB: seu trabalho constituía em fazer vídeos pornográficos para a Internet; há até boatos de que era garota de programa. Quanto à sua trajetória dentro do programa, Maria causou polêmica de mesma proporção: engatou um romance com Maurício logo nos primeiros dias, sofreu com sua saída na segunda semana, interessou-se pelo recém-chegado Wesley, depois rastejou por Maurício quando este retornou, chegando a ajoelhar-se e pedir para que volte com ela, depois resolveu esquecê-lo e permitiu-se viver um romance com Wesley, com direito a sexo debaixo do edredom e beijo na frente do ex. Tudo isso sem mencionar que a moça era usuária confessa de anabolizantes, chegou a votar por mais de uma vez no namorado Wesley, chegou a fazer um striptease para Maurício e não tinha vergonha de fazer papel de boba quando não entendia algum assunto ou não sabia falar alguma palavra. 
Mas nada disso foi suficiente para fazer com que o público a odiasse. Nenhum defeito ou deslize de Maria foi suficiente para tirar de foco seu jeito carismático, sincero e meigo. Afinal, prostituta ou não, errada ou não, Maria é uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer no planeta, não? 
Tudo isto me faz lembrar de Maria de Magdala, outra mulher, outra Maria, outra "mulher do mundo", que a princípio foi julgada e hostilizada, mas depois provou ter um grande coração, e que isso vem acima das outras coisas...

As várias faces de Maria
Créditos das fotos: Blog De Cara pra Lua

Maria foi ridícula, sincera, irracional, extravagante, tarada, palhaça, amorosa, desinibida, corajosa, brega, engraçada, divertida... Foi tudo que toda mulher sente vontade de ser às vezes, em todos os momentos que queria, sem nunca reprimir-se com base no medo de ser negativamente julgada, seja pelos participantes do jogo, seja pelos telespectadores.

Eu já havia dito aqui no blog que o que fez Maria conquistar minha simpatia foi o fato de ela não ter medo de ser ridícula. Creio que esta é justamente a maior virtude de Maria: sua falta de orgulho. Afinal, que outra mulher teria coragem de humilhar-se para um homem, pedindo-o de volta, em rede nacional, um "fora" após o outro?

Não; enganei-me. O que mais adoro em Maria é o fato de ela ter me colocado de cara com o meu próprio preconceito. Carola e moralista como sou, devo confessar que nos primeiros dias de BBB senti uma terrível aversão por Maria, logo de cara. Mal quis conhecê-la pois julgava que fosse como toda mulher gostosa de BBB: do tipo que gosta de se exibir, que não tem nada para mostrar além do próprio corpo, e que vai se prender ao rótulo "autêntica" para tentar chegar a algum lugar o jogo - sendo que a autenticidade, no caso, seria relativa à falta de vergonha de exibir comportamentos excessivamente sensualizados.

E como me enganei! Não obstante os empregos de Maria serem relacionados ao sexo, Maria foi radicalmente menos "puta" que muitas outras ex-BBBs. Era, sim, sexualmente liberada, não tinha pudores, não tinha vergonha do próprio corpo e de assumir os próprios desejos, mas nunca, em nenhum momento, agiu como uma vadia - ao contrário de outras BBBs que, muito embora não trabalhassem com sexo fora do BBB, agiam sem o menor respeito, sempre esfregando seus traseiros nas caras dos colegas de confinamento. Se há, de fato, alguma "putaria" relacionada a Maria, só diz respeito ao aspecto profissional de sua vida. Se em algum momento foi demasiado permissiva para com seu próprio corpo, foi somente com seus parceiros (Maurício, e depois Wesley). 

Primeiro, Maria se envolve com Maurício e até descarta a possibilidade de viver um novo amor por sua causa.
Após ser destratada por ele, permite-se ser feliz com Wesley.
Como mulher, Maria é ousada, mas também é romântica, carente, uma mulher que quer ser amada. Chorou quando Pedro Bial disse que Maurício tinha mudado após o tempo que passou fora; chorou porque sentiu-se finalmente compreendida, após tantos sermões mal feitos que o rapaz dava a ela. Quem mudou não foi Maria: foi o que Maurício pensava dela. Ela ainda era a mesma mulher: verdadeira, sensível, sempre disposta a seguir seu coração, desprendida de qualquer preceito que a impunham. 

Várias vezes foi tachada de burra, foi criticada por não pensar antes de agir, por não ter amor-próprio ao correr atrás de Maurício, e até de vagabunda por ficar com dois homens em apenas 3 meses de reality show... Mas no fim das contas, Maria simplesmente não teve vergonha de ser Maria, e não teve medo das consequências de suas escolhas. Não teve vergonha de dar sua cara a tapa e julgar-se digna de R$1.500.000,00 mesmo sabendo o quanto a sociedade ainda condena garotas de programa. Não teve vergonha de aparecer desleixada, com o cabelo desarrumado preso de lado, quando era considerada uma das mais belas do programa. Não teve vergonha de continuar implorando o perdão de um homem que a desprezava, e quando por fim resolveu virar a página, não teve vergonha de ser julgada por beijar outro homem.

O casal de finalistas Maria e Wesley
Créditos das fotos: Blog De Cara pra Lua

É muito bom ver tanta gente torcendo por Maria, tanta gente se deixando cativar por seu jeito doce e divertido, a despeito de todos estes outros fatores que geralmente pesam muito contra uma mulher participante de Big Brother. E como seria bom ver uma mulher vencendo o BBB, após 5 anos! Ainda mais uma mulher como Maria. Seria uma vitória histórica, haja visto que várias outras mulheres já chegaram muito perto do prêmio, mas perderam porque a sociedade prefere eleger homens porque "ah, ela já vai ganhar muito dinheiro posando para a Playboy". E Maria vai mesmo... Mas e daí? Desde quando Big Brother é disputa de pobreza? ou de história de vida? Quem inventou que só pobre pode vencer?, ou que quem deve ganhar é quem terá menos chances quando sair do programa? Deve ganhar quem merece. 

E, se querem saber, muito embora eu torça por Maria, a vitória de Wesley ou Daniel também me deixaria contente. Como eu disse anteriormente, eis um trio que representa muito bem a ausência de preconceito, e cuja posição no jogo certifica a quantas anda a mentalidade dos brasileiros. 

Bêbado, Daniel beija o espelho
Daniel cativou o Brasil com sua espontaneidade, suas tiradas engraçadíssimas e as loucuras que aprontava nas festas, quando estava bêbado. 
Certamente essa graça toda não existiria se ele não fosse gay, mas o que achei mais legal foi justamente o fato de ele não ter levantado a bandeira gay.
Em 2010, uma vitória de Dicesar parecia ser imposta ao público, como se o povo precisasse torcer para ele para mostrar que não discrimina os gays. Mas eis que quem vence é um machão propagador do órgulho hetero... Lembro-me de ter lido em algum lugar uma análise interessantíssima da eliminação de Dicesar: "o povo não quer eleger um gay simplesmente porque ele é gay". Se foi mesmo verdade, achei super sensato por parte dos telespectadores do BBB.
Agora, em 2011, surge Daniel, que não tenta empurrar goela abaixo de ninguém os seus conceitos, apenas é quem é, age como quer, e inclusive, em seu modo de agir, porta-se muito mais como "homem" do que os outros "homens com H" da casa. Apesar de seu jeito efeminado, Daniel teve muito mais coragem que os outros heterossexuais da casa, assumia suas escolhas e gostos, não tinha medo de indicar ao paredão os participantes mais temidos pela casa - e diga-se de passagem que tal temor era puro fruto da imaginação dos BBBs; mal sabiam eles que o trio Rodrigão-Mau Mau-Diogo era detestado pelo público!


Créditos das fotos:
Blog De Cara pra Lua
Já Wesley se destacou por sua garra e pelo carinho com que trata Maria, logo conquistando a simpatia das mulheres, não somente por sua beleza, mas por seu jeito atencioso e amoroso.
Na minha opinião, o maior trunfo de Wesley é sua total falta de preconceito, que o fez criar laços de grande carinho e amizade com um gay que várias vezes se mostrou interessado nele - atitude que faria vários homens heterossexuais se afastarem! - além de apaixonar-se por uma suposta garota de programa e tratá-la como princesa  - exatamente o oposto do que Maurício fez.  

Enfim... Não tenho o costume de votar para os meus favoritos no BBB, apenas torço. E independente de quem sagrar-se vitorioso esta noite, darei-me por satisfeita, por saber que certos preconceitos já estão, aos poucos, sendo vencidos.

Só lamento que a sociedade ainda não esteja preparada para aclamar uma mulher como Natália, que infelizmente foi eliminada nas primeiras semanas. Natália foi uma mulher de pulso, com vocação para a liderança, que raciocinava rápido e gostava de mandar - características que, infelizmente, ainda são vistas como privilégios dos homens. Mas tudo bem. Só por saber que já é possível aceitar uma mulher como Maria (e torcer por ela também!), acho que já temos meio caminho andado...

2 comentários:

Comunicação disse...

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Atenciosamente,
Ministério da Saúde.

Cauã Wiggberto disse...

Amei Amei Chorei quando a Mary ganhou kkkkkkkkkkk sinceramente parece que tudo que vc disse é o que eu penso e não sei falar.

Um dia depois de a Mary ter ganhado minha amiga falou que era escroto uma PUTa ganhar kkkkkkk e eu rii muitoooo. Eu sei láa não sei se ela é puta ou não, mais se ela for e daí kkkk, ela tem tantas coisas que me emocionam e me deixa feliz Maria é Maria