domingo, 14 de novembro de 2010

As coisas que desejamos para nossos filhos

Quadro "Motherhood II", de Mary Cassatt

(Para ilustrar este texto, escolhi pinturas da norte americana Mary Cassatt, impressionista que pintou várias cenas lindas de mães e filhos. 
Atualização: 27.07.2017 - Se quiser conhecer melhor as obras desta magnífica pintora, visite a página dela no site Artsy)

Eu sei que, mais cedo ou mais tarde, meus filhos manifestarão sua própria personalidade. Ainda que eu tente incutir neles os meus valores, com o tempo eles também terão os deles. Mesmo assim, eu me sinto no direito de desejar que meus filhos não sejam algumas coisas.

Existem tantas coisas maravilhosas nesse mundo... Por que tanta gente ainda perde tempo? Vejo tantas pessoas que tentam preencher o vazio dentro de si com festas, bebidas e falsas amizades, criando uma ilusão, na tentativa de enganarem os outros, fazendo-os pensar que sua vida é incrível, enquanto na verdade tudo não passa de um grande vazio, de uma vida sem sentido.

Eu adoraria que meus filhos gostassem de algum esporte, ou tocassem algum instrumento, se interessassem por alguma coisa legal, um idioma, uma ciência em especial, ou qualquer outra atividade saudável. Até posso instigá-los, posso sugerir, incentivar, mas não poderei impor. Há coisas que podemos impor (as atividades escolares, por exemplo), e há outras que não. Como ter, portanto, a certeza de que eles optarão por uma dentre tantas coisas boas que eu desejo para eles? E se eles forem simplesmente pessoas fúteis, superficiais, ou desequilibradas, arruaceiras, exatamente como eu temo?

Se isso acontecer, quero pelo menos ter a tranquilidade de poder dizer a mim mesma: fiz tudo que pude. Por mais esforçada que seja uma mãe ou um pai, há um certo limite para a boa vontade em suas ações: chega um ponto em que o filho terá que trilhar seu próprio caminho. Almejo, quando este dia chegar, estar em paz com minha consciência e saber que dei tudo de mim e fiz o possível para que meus filhos sejam boas pessoas.  

Quatro "Mother and Child V", de Mary Cassatt

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